I.Art.E

Ideias ... Arte ... Ecumenismo



frases soltas

 

31/09 Como ensinaram alguns grandes clássicos da espiritualidade cristã, o Espírito Santo é o principal mestre da oração. A experiência, porém, mostra que é preciso assimilar algumas orientações.

32/09 Tudo serve para a devoção, mais o que mais sirva para essa finalidade, que deve ser considerado melhor, sem mudar as práticas habituais por razões insuficientes.

33/09 Não abusar do demasiado pensar, mas associar a vontade com afectos e sentimentos. Rezar não é estudar. Estudar para saber é uma coisa. Rezar é pensar em Deus para melhorar.

34/09 A devoção não se alcança a golpes de vontade, mas pela aceitação agradecida da misericórdia divina. Seja quando é concedida já, ou quando ainda não o é.

35/09 A oração não é cansar a cabeça, nem distrair-se. A atenção deve ser moderada, não forçada; com firmeza, mas sem esforços inauditos.

36/09 Na oração é fundamental a perseverança, até chegar o Senhor. Ele deseja ser adorado em espírito e em verdade e em amor agradecido.

37/09 Não confundir oração com gosto, prazer ou consolação sensível. Tudo isto é fraca prova de amor a Deus.

38/09 É sabido que se deve aproveitar todas as graças e propostas que Deus faz á alma ao longo do dia. Quando não o faz, a alma é penalizada ao não encontrar Deus quando o procura, uma vez que Ele não a encontrou quando a buscou.

39/09 A verdadeira devoção faz a alma pronta e capaz para tudo aquilo que é virtude e vivifica-a para agir bem. A alma devota vence o impedimento que é a corrupção da natureza, a inclinação que temos para o mal e a dificuldade e resistência a fazer o bem.

40/09 Existem algumas disposições que facilitam a edificação de um animo devoto: coração decidido e generoso; guarda do coração de tudo aquilo que sejam pensamentos ociosos e vãos e de todas as tendências imperfeitas e superficiais; guarda dos sentidos (em especial, olhos, ouvidos e língua); o recolhimento (os espaços de silencio devidamente estabelecidos ou aproveitados ao longo do dia, ou em certas alturas do ano: retiros, peregrinações a pé); a leitura espiritual; as práticas piedosas de uso frequente (que facilitam a constante presença de Deus: jaculatórias, comunhões espirituais, actos de desagravo); o cuidado dos pequenos deveres diários (sentido de perfeição, de humildade, de serviço, de alegria); o desprendimento em relação a si mesmo e às coisas (fugir de todas as manifestações de pieguice, não comprar coisas supérfluas, evitar intemperanças no comer, beber, dormir, tv e internet, impontualidade nos encontros, desordem no aproveitamento de tempo).

41/09 Existem alguns factores negativos em relação à edificação da verdadeira devoção: os pecados (mortais ou veniais, que matam ou diminuem o fervor da caridade); o remorso de uma consciência não purificada no sacramento da Reconciliação); tristeza das próprias faltas e não pela ofensa a Deus; o excesso de ocupações que muitas vezes procede do orgulho ( pretender fazer tudo, considerar-se perfeccionista, ou seja, dispensado de respeitar as outras pessoas); o excesso de preocupações (por não colocar nas mãos de Deus aquilo que nos ultrapassa ou por não confiar e confiar-se aos outros); as consolações sensuais (quem deseja ou procura as consolações mundanas não merece as do Espírito Santo); excessos na satisfação dos gostos (tv e internet, comer, beber, dormir); curiosidade (que além de ser perda de tempo quando é excessiva, ou superficial, ou inútil impede que se encontre ocasião para a formação cultural, profissional, religiosa e se dedique tempo à família e aos amigos e às causas sociais); a interrupção das práticas de piedade, quando não existe um motivo legítimo (deixar de dar a prioridade a Deus por obrigação pode ser sinal de mediocridade no amor a Deus que não pretende outra coisa que O amemos na devoção e na obrigação. O medíocre justifica a sua pouca devoção com as obrigações; o santo entrelaça ambas, obrigação e devoção, amando sempre a Deus e aos seus semelhantes).

42/09 É a altura de referir as dificuldades mais frequentes na edificação de uma vida devota. Mas apontaremos ao mesmo tempo as correspondentes propostas para as superar. A falta de consolações espirituais deve ser combatida com perseverança, paciência, humildade e um profundo exame de consciência; a presença de pensamentos inoportunos durante as devoções deve ser ultrapassada com diligencia e a ajuda de um livro espiritual; a tentação de desconfiança no aproveitamento do tempo de oração e na melhoria da vida cristã deve dar lugar à consideração da infinita misericórdia divina, sempre sobre abundante se nos arrependemos contritamente; a prosápia de estar muito adiantado deve debelar-se considerando que não existe mais exacto sinal de a alma estar afastada de Deus que pensar que se está muito perto. Aliás, o conhecimento da vida dos santos é suficiente para curar este sintoma de falta de humildade.

43/09 Dizem os santos que a vida espiritual consiste na obediência aos mandamentos de Deus e ao cumprimento da Sua vontade. Por outro lado, acrescentam os mestres espirituais que a verdadeira virtude não está na alma que tem gosto na oração, mas naquela que tem paciência nas tribulações, abnegação na entrega de si mesma e prontidão no cumprimento da vontade divina (embora para tudo isto seja muito importante não só a oração, mas a união com Cristo e as suas graças que nela se nos dão).

44/09 Se alguém pretende conhecer a qualidade da sua caminhada para Cristo pode examinar se na sua existência: está enraizada a humildade interior e exterior; como suporta os defeitos do próximo; com ajuda os pobres de bens materiais e espirituais; como sabe perdoar as fraquezas alheias; como se compadece dos falhos dos seus semelhantes; como espera em Deus no tempo das provações; se domina a língua; se guarda o coração para o verdadeiro amor; se domina os seus instintos e sentidos; se mantém a serenidade e a igualdade de animo nas situações de êxito e de fracasso.

45/09 É certo que a oração conduz à mortificação, ou seja, à purificação e aperfeiçoamento da nossa vida. É a partir da oração que podemos ser mortificados. Porque uma mortificação que não tem como objectivo o aperfeiçoamento no amor de Deus e do próximo não é cristã.