Carta da Santa Sé sobre a coleta a favor da Terra Santa
2006
Excelência Reverendíssima,
No início da Quaresma, esta Congregação que, por explícito mandato dos Sumos
Pontífices, tem a responsabilidade de sensibilizar e promover toda sorte de
iniciativas e intervenções em favor dos Lugares Santos, dirige-se às
Conferências Episcopais e a cada Bispo para recomendar vivamente a tradicional
Colecta "pro Terra Sancta".
Desde sempre, os Sumos Pontífices têm reservado a máxima solicitude para com
aquelas comunidades cristãs. Demonstra-o claramente a longa série de documentos
exarados ao longo dos séculos. São inesquecíveis as numerosas intervenções do
Servo de Deus João Paulo II, referentes à situação do Oriente Médio e,
especialmente, à terra Santa, imersa numa crise que registra cada dia
sofrimentos inauditos.
A Terra do Senhor, com efeito, continua a ser o cenário de um conflito que se
prolonga há decénios e que priva as comunidades e as instituições católicas dos
meios adequados para a manutenção e a promoção das actividades religiosas,
humanitárias e culturais. Tal dolorosa situação produz pobreza e desemprego, com
graves consequências sobre as famílias e sobre toda a população. E alimenta o
preocupante fenómeno do contínuo êxodo dos cristãos, sobretudo dos casais jovens
para os quais não se entrevê um futuro seguro e digno.
Mas a presença dos cristãos na Terra Santa é mais do que necessária para o
futuro pacífico daquela área e para o bem de toda a Igreja Universal, que deve
achar presentes naqueles Lugares Santos comunidades vivas que professem a fé
evangélica.
O Santo Padre Bento XVI, na Audiência aos participantes na Assembleia da
"Reunião das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais" (R.O.A.C.O), dia 23 de junho
de 2005, enfatizou que, apesar de tudo, "alguns sinais positivos, que chegam até
nós nestes últimos meses, tornam mais sólida a esperança de que não tarde a
chegar o dia da reconciliação entre as várias comunidades presentes na Terra
Santa; e por isso não cessamos de orar com confiança". Eis a responsabilidade
que a Igreja Universal tem em relação à Igreja Mãe de Jerusalém, "para com a
qual todos os cristãos têm um débito inesquecível", segundo as palavras do
próprio Papa.
2. O Santo Padre, em todas as ocasiões possíveis, tem confirmado o seu afecto e
pedido oração por Jerusalém e por toda a Terra Santa.
Na Audiência Geral de quarta-feira, 12 de outubro de 2005, comentando o Salmo
121 com os Padres da Igreja, para os quais a Jerusalém antiga era sinal da
concórdia universal definitiva, salientou a peculiar missão ecuménica e
inter-religiosa da Santa Cidade: "Assim cresce a Igreja como uma verdadeira
Jerusalém, um lugar de paz. Mas queremos rezar também pela Cidade de Jerusalém
para que seja cada vez mais um lugar de encontro entre as religiões e os povos;
para que seja realmente um lugar de paz". E na mensagem Urbi et Orbi, em ocasião
do seu primeiro Natal, Ele invocou o Menino de Belém, para que "incuta coragem
nos homens de boa vontade, que actuam na Terra Santa, no Iraque, no Líbano, onde
os sinais de esperança, que apesar de tudo não faltam, esperam ser confirmados
por comportamentos inspirados na lealdade e na sabedoria".
A todos os católicos do mundo, portanto, apresenta-se o dever de acompanhar com
a oração e a solidariedade concreta as comunidades cristãs daquela Terra
abençoada.
Ao senhor, aos seus colaboradores imediatos, a todos os sacerdotes, religiosos e
fiéis que se esforçam pelo bom sucesso da colecta de Sexta-feira Santa, apraz-me
transmitir a viva expressão reconhecimento do Santo Padre Bento XVI, juntamente
com a minha gratidão e a da Congregação para as Igrejas Orientais.
Invoco copiosas bênçãos divinas sobre a sua pessoa e a comunidade eclesial de
que é pastor, confirmando os meus sentimentos de fraterna comunhão.
Ignace Moussa Card. Daoud
Patriarca emérito de Antioquia dos Sírios, Prefeito
Antonio Maria Vegliò
Secretário
[Tradução distribuída pela Santa Sé]