Palavras do Papa à Aliança Mundial das Igrejas Reformadas
Queridos amigos:
Ao início deste Novo ano, dou-vos as boas-vindas, representantes da Aliança
Mundial das Igrejas Reformadas, por ocasião de vossa visita ao Vaticano. Recordo
com gratidão a presença de delegações da Aliança Mundial tanto no funeral de meu
predecessor, o Papa João Paulo II, como na inauguração de meu próprio ministério
papal. Nestes sinais de mútuo respeito e amizade, compraz-me ver um fruto
providencial do fraterno diálogo e cooperação empreendido nas últimas quatro
décadas, e um sinal de segura esperança para o futuro.
No mês passado, de fato, celebrou-se o quadragésimo aniversário da conclusão do
Concílio Vaticano II, que assistiu à promulgação do decreto sobre o ecumenismo
«Unitatis Redintegratio». O diálogo católico-reformado, que surgiu pouco depois,
ofereceu uma importante contribuição ao exigente trabalho de reflexão teológica
e de investigação histórica indispensável para superar as trágicas divisões que
surgiram entre os cristãos no século XVI. Um dos resultados do diálogo foi
mostrar significantes áreas de convergência entre a compreensão reformada da
Igreja como «Creatura Verbi» e da compreensão católica da Igreja como primordial
sacramento de Deus, emanação da graça de Cristo (Cf. «Lumen Gentium», 1). É um
sinal alentador que a atual fase de diálogo siga explorando a riqueza e
complementaridade destas duas visões.
O decreto sobre o ecumenismo afirmou que «o verdadeiro ecumenismo não pode se
dar sem a conversão interior» (número 7). Ao início de meu pontificado,
manifestei minha pessoal convicção de que «essa conversão interior é o
pressuposto de todo progresso no caminho do ecumenismo» (Homilia na Capela
Sixtina, 20 de abril de 2005), e recordei o exemplo de meu predecessor, o Papa
João Paulo II, que com freqüência falou da necessidade de uma «purificação da
memória» como meio para abrir nossos corações para receber a plena verdade de
Cristo. O falecido Papa, especialmente por ocasião do Grande Jubileu do ano
2000, ofereceu um forte impulso a esta atitude na Igreja católica, e me compraz
saber que várias das Igrejas reformadas, que são membros da Aliança Mundial,
empreenderam iniciativas similares. Gestos como estes são ladrilhos para uma
relação mais profunda que deve alimentar-se de verdade e amor.
Queridos amigos, rezo para que nosso encontro de hoje traga frutos de um
renovado compromisso para trabalhar pela unidade dos cristãos. O caminho que
temos ante nós exige sabedoria, humildade, estudo e intercâmbio paciente.
Recorramos com renovada confiança, em obediência ao Evangelho e pondo nossa
esperança na oração de Cristo pela Igreja, no amor do Pai para conosco, e no
poder do Espírito Santo (Cf. «Unitatis Redintegratio», 24).
[Traduzido por Zenit]