PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PROMOÇÃO DA UNIDADE DOS
CRISTÃOS
Subsídios para a SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS
e para todo o ano de 2006
Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles (Mt 18,20)
Preparado conjuntamente por Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos
Cristãos e Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas
Tradução em língua portuguesa a cargo da Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB)
A todos aqueles que organizam
a Semana de oração pela unidade dos cristãos
Buscar a unidade durante todo o ano
Tradicionalmente, a Semana de oração pela unidade dos cristãos é celebrada de 18
a 25 de Janeiro. Estas datas foram propostas no ano de 1908 por Paul Wattson de
maneira a cobrir o período entre as festas de São Pedro e de São Paulo. Esta
escolha tem portanto um significado simbólico. No hemisfério Sul, onde o mês de
janeiro é um período de férias de verão, preferimos adotar uma outra data, por
exemplo nas proximidades de Pentecostes (isto foi sugerido pelo movimento Fé e
Constituição em 1926) que representa também uma outra data simbólica para a
unidade da Igreja. Conservando esta flexibilidade ao Espírito, nós os
encorajamos a considerar estes textos como um convite a encontrar outras
ocasiões, no decorrer do ano, para expressar o grau de comunhão que as igrejas
já atingiram e para rezar juntas em vista de se chegar à plena unidade querida
por Cristo.
Adaptar os textos
Estes textos foram propostos levando-se em conta que, cada vez que isto for
possível, adaptá-los às realidades dos diferentes lugares e países. Fazendo
isto, devem levar em conta as práticas litúrgicas e devocionais locais como do
contexto socio-cultural. Uma tal adaptação deverá normalmente ser o fruto de uma
colaboração ecumênica.
Em vários países, algumas estruturas ecumênicas já estão estabelecidas elas
permitem este gênero de colaboração. Esperamos que a necessidade de adaptar a
Semana de oração à realidade local possa encorajar a criação destas mesmas
estruturas lá onde elas ainda não existem.
Utilizar os textos da Semana de oração pela unidade dos cristãos
• Para as igrejas e as comunidades cristãs que celebram juntas a Semana de
oração em uma única cerimônia, este livrinho propõe um modelo de Celebração
ecumênica da Palavra de Deus.
• As igrejas e as comunidades cristãs podem igualmente se servir em suas
celebrações, de orações ou outros textos da Celebração ecumênica da Palavra de
Deus, textos propostos para os oito dias e de escolha de orações em apêndice
desta brochura.
• As igrejas e as comunidades cristãs que celebram a Semana de oração pela
unidade dos cristãos, cada dia da semana, podem encontrar algumas sugestões nos
textos propostos para os oito dias.
• As pessoas que desejam dedicar-se aos estudos bíblicos sobre o tema 2006 podem
igualmente se basear sobre os textos e as reflexões bíblicas propostas para os
oito dias. Os comentários de cada dia podem se concluir com uma oração de
intercessão.
• Para as pessoas que desejam rezar privadamente, os textos contidos nesta
brochura podem alimentar suas orações e lembrar também que elas estão em
comunhão com todos aqueles que, no mundo, rezam por uma maior unidade visível da
Igreja de Cristo.
Texto bíblico
Mateus 18, 18-20
Em verdade eu vos declaro: tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e
tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.
Eu vos declaro ainda: se dois dentre vós, na terra, se puserem de acordo para
pedir seja o que for, isto lhes será concedido por meu Pai que está nos céus.
Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu Nome, eu estarei no meio deles!
Introdução ao tema:
“Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome,
eu estarei no meio deles” (Mt 18,20)
O que nos une é muito mais forte do que aquilo que nos separa – tal é a grande
descoberta que está na origem do movimento ecumênico. O elemento mais importante
de nossa unidade é a presença de Cristo ressuscitado que prometeu aos seus
discípulos que estaria com eles até o fim dos tempos. No final do Evangelho de
São Mateus, Jesus faz esta promessa imediatamente depois de ter dito a seus
discípulos que fossem fazer novos discípulos em todas as nações batizando-os em
nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (cf. Mt 28, 19-20). Ele estava
consciente de todas as dificuldades que eles iriam encontrar e não quis
deixá-los órfãos em sua missão (cf. Jo 14). Prometeu-lhes que permaneceria com
eles. Ele é o “Emmanuel”, isto é, o “Deus conosco” (Mt 1,23).
Os Evangelhos nos falam das diversas maneiras nas quais Jesus, nosso Senhor
ressuscitado, está presente em nosso meio: quando sua Palavra é proclamada e
vivida e quando o pão e o vinho eucarísticos são oferecidos em sua memória; ele
está presente também na criança, no faminto, no prisioneiro, no abandonado; ele
se encontra em cada um de nossos próximos; ele está entre aqueles que
continuarão sua missão e seu ministério de ir pelo mundo. É neste contexto que
que é expressa a promessa de Jesus que serve de tema para a Semana de oração
pela unidade deste ano: “Lá onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu
estarei no meio deles” (Mt 18,20).
Esta promessa, Mateus a situa no contexto de um ensinamento de Jesus: como
organizar a comunidade eclesial com o cuidado dos mais necessitados; como a
Igreja pode estar ela mesma a serviço de seus membros que dela se afastaram; que
limites colocar ao perdão. Mt 18 contém alguns textos fortes que tratam do
juízo. Estes textos são como painéis de significado que seriam destinados à
comunidade dos cristãos, mostrando-lhes lá onde faltam-lhes suas
responsabilidades de discípulos. Outros textos vêem ajuntar uma outra diferença,
sublinhando o pensamento de Deus sobre cada indivíduo e lançando à comunidade um
apelo ao perdão ilimitado, à imagem da capacidade infinita de reconciliação que
está em Deus. Este capítulo fornece aos primeiros cristãos as instruções
deixadas por Jesus: a maneira de construir a comunidade não pode deixá-los
indiferentes. A comunidade que se reúne em torno da pessoa e da palavra de Jesus
deve fazer todo o possível para viver em harmonia. É neste contexto que o Senhor
convida seus discípulos a terem confiança no poder da oração comum como também
na sua presença permanente no seio da comunidade, uma vez reunida em seu nome.
Durante a Semana de oração pela unidade dos cristãos e da nossa oração pela
unidade ao longo de todo o ano, somos chamados a tomarmos profunda consciência
de que esta unidade é uma graça e de que devemos invocar incessantemente este
dom. Quando nos esforçamos em promover a unidade de nossas próprias comunidades
e a unidade de todos os cristãos, sabemos o quanto é importante nos reunir, de
modo ecumênico, em nome de Jesus. Cada vez que nos reunimos também em oração,
somos chamados a ter confiança no poder da oração oferecida na presença de
Jesus, que prometeu a seus discípulos: “Eu vos declaro ainda: se dois dentre
vós, na terra, se puserem de acordo para pedir seja o que for, isto lhes será
concedido por meu Pai que está nos céus” (Mt 18,19). O que conta não é realmente
um pluralismo de vozes, mas o fato de que estas vozes estejam unidas na oração.
A voz silenciosa que fala ao coração de cada um é amplificada quando nos
reunimos em nome de Cristo. Recordemo-nos em nossa oração e rendamos graças ao
Senhor pelos numerosos progressos alcançados ao longo dos últimos decênios no
caminho de unidade; Jesus Cristo esteve presente entre nós através do poder de
seu Espírito e a rezar ao Pai conosco.
A promessa da presença de Jesus entre nós não se limita à comunidade reunida no
serviço litúrgico. Isto porque o amor de Deus Trindade se encarnou em Jesus
Cristo, por isso nos é possível em Cristo, viver uma vida de comunhão enraizada
na Trindade mesma. Pela presença de seu Santo Espírito, o Senhor ressuscitado
deseja estar conosco em todo tempo e em todos os lugares, partilhando nossas
preocupações, nos dando conselhos, caminhando ao nosso lado, visitando nossas
casas e nossos lugares de trabalho, reavivando nossa alegria por sua presença
que nos conduz todos diretos ao coração do Pai. Ele quer que sintamos a
proximidade de Deus, sua força e seu amor. Ele quer estar entre nós a fim de
testemunhar, ele mesmo, em nós, seu amor e sua presença em nossas casas, no
trabalho, na escola e nos espaços onde nós vivemos.
É de se recordar que muitas coisas foram realizadas ao longo da história cristã
“em nome de Jesus”, de coisas que não têm nada a ver com o ensinamento de
Cristo, com o exemplo que ele nos deu por sua vida e por sua morte. Nossas
histórias individuais e comunitárias nos oferecem muitas razões para nos
arrepender. Nós lemos em Mateus 18,20, à luz da prioridade concedida ao
mandamento do amor, no Evangelho de João: “Eis o meu mandamento: amai-vos uns
aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12) e “Nisto todos reconhecerão que sois
meus discípulos: no amor que tiverdes uns para com os outros” (Jo 13, 35). A
presença de Jesus, lá onde dois ou três estiverem reunidos em seu nome, está
estreitamente ligada ao amor que estes dois ou três nutrem uns pelos outros.
Reunir-se em nome de Jesus significa participar do amor que ele nos anunciou
sobre a terra. Este amor não pode ser reduzido a uma simples filantropia,
solidariedade ou benevolência; ele vai bem mais além da amizade ou da ternura. É
um amor que se doa inteiramente, que aceita o sofrimento, que “desculpa tudo,
[...] crê tudo, [...] tudo espera, [...] abrange tudo” (1 Cor 13,7). É um amor
que necessita prudência e paciência, quando discernimos a presença do Senhor e a
direção na qual ele nos guia.
Para poder estar também receptivo, o quanto possível, à presença de Jesus entre
eles, os cristãos devem aprender a viver juntos um “ecumenismo no quotidiano”
que acompanhe sua busca teológica de unidade. Esta significa estar abertos e se
deixar enriquecer pelas tradições espirituais, as riquezas e os costumes,
engajando juntos, concretamente, a edificar o Reino de Deus sobre a terra. Isto
significa também promover uma cultura de interdependência, aprendendo juntos a
ter tudo que há de positivo nas especificidades de toda comunidade eclesial e
étnica, de toda história e jurisdição, especificidades que poderão sim,
facilmente, dividir os cristãos. Estar conscientes de tudo o que nos divide, nos
permite enfrentar, mais eficazmente, isto que nos divide ainda. Um ecumenismo de
vida implica, cada vez que é possível, na oração comum, na missão comum e no
testemunho comum que tomamos parte, juntos e sempre mais, da vida no Espírito.
Esta significa também dividir com os outros os aspectos ordinários de nossa
vida, de sorte que possamos reconhecer, sempre mais, como irmãs e irmãos em
Cristo e, que possamos ver no outro a presença mesma do Senhor.
Nada é pequeno se for realizado por amor. Nenhum gesto de amor, nenhum
testemunho, nenhuma colaboração em nome de Jesus, nenhuma oração comum é privada
de sentido e de valor, se responde à vontade de Cristo que todos seus discípulos
sejam um. Cada uma destas ações, mesmo modesta, exprime nossa determinação em
amar uns aos outros, como o Cristo nos amou; e pode ser igualmente um sinal
eloquente, diante do mundo, frequentemente incapaz de reconhecer a presença de
Deus ou indiferente a seus desígnios.
O grupo ecumênico, que se reuniu na Irlanda, para preparar os textos da Semana
de oração pela unidade dos cristãos, está consciente da riqueza do patrimônio
espiritual daquele país, que remonta á antiguidade cristã e que divide então
todas as tradições cristãs presentes na Irlanda. Os membros do grupo estavam
igualmente conscientes de que as Igrejas cristãs se encontravam envolvidas e
tomadas pela armadilha nos conflitos e nas tensões que marcaram fortemente a
vida da Irlanda ao longo dos séculos passados. As divisões entre cristãos
provocaram profundas feridas ou as agravaram.
É a terceira vez, ao longo dos últimos 25 anos, que o grupo de preparação da
Semana de oração se reuniu na Irlanda, enquanto a violência diminui e cresce a
esperança de ver se realizar a paz do Cristo. Levando em consideração a rica mas
também complexa história da Irlanda, o grupo tinha boas razões para escolher
este ano Mt 18,20 como texto bíblico central e o tema da Semana de oração pela
unidade dos cristãos 2006.
A intenção do grupo foi primeiramente de chamar a atenção sobre Jesus, enquanto
fonte de nossa unidade, sublinhando o que ele já nos indicou: como podemos ser
os instrumentos da unidade que Deus deseja para nós.
Em segundo lugar, enquanto que após tentativas e iniciativas, em grande escala,
a esperança pode surgir e desaparecer muito rapidamente, os membros do grupo
preparatório observaram que o simples encontro de dois ou três reunidos, no amor
mútuo, em Cristo, é um meio essencial para construir relações entre os povos e
as comunidades divididas. Os encontros em grupos restritos, as relações e as
amizades, em nível local, podem frequentemente dar um poderoso estímulo à
difusão de um espírito de paz e de reconciliação. Muitas experiências na
história recente da Irlanda testemunham isto.
Em terceiro lugar, o grupo sublinhou que para poder esperar no futuro e
construir hoje a paz e a reconciliação, é necessário levar em consideração as
lembranças dolorosas e os sofrimentos do passado. Enquanto discípulos de Cristo
devemos nos engajar e encontrar meios construtivos, para cuidar das feridas do
passado e oferecer um testemunho comum, buscando e escolhendo os caminhos que
nos conduzem à reconciliação. É neste espírito que, todos os cristãos que
utilizam os textos da semana de oração, são convidados a se reunirem na oração e
no amor recíproco, para tentar compreender uns aos outros nas suas diferenças.
Nós poderemos assim, nos tornar, sempre mais, sinais poderosos de reconciliação
e testemunhar a presença do Cristo que nos cura.
Os textos bíblicos propostos e os comentários, para os oito dias, têm por
finalidade estimular uma reflexão prolongada sobre o convite que Jesus dirige a
seus discípulos: reunir-se em seu nome. O primeiro dia desenvolve a idéia de que
pelo fato de todos os cristãos pertencerem ao Cristo, nós pertencemos uns aos
outros, e somos reunidos numa comunhão, que já se revela no nosso reconhecimento
comum do batismo. O segundo dia oferece uma meditação sobre a importância da
humildade no serviço (o exemplo que nos é dado aqui é o convite feito aos
discípulos de Cristo de lavarem-se os pés mutuamente) como meio de construir a
unidade da Igreja. O terceiro dia se concentra sobre a importância da oração
comum, sugerindo que quando Jesus orou pela unidade de seus discípulos, talvez
ele o fez porque seus discípulos ainda não estavam unidos em seu nome; a
presença de Jesus entre nós nos une a ele e nos une uns aos outros. O tema do
quarto dia é o da purificação das memórias e do perdão oferecido e recebido,
elemento essencial da redescoberta e da reafirmação de nossa unidade em Cristo.
O quinto dia descreve a presença de Deus como fonte de paz e estabilidade, de
coragem e de força, que nos encoraja, por sua vez, a procurar os meios de
realizar a paz. O tema do sexto dia permite-nos refletir sobre o duplo movimento
da missão, reunião e envio. Estas duas maneiras de agir têm cada uma, por
finalidade realizar a vontade do Pai, que é encorajar o fraco e proclamar que o
Reino de Deus está próximo. O sétimo dia convida-nos a acolher o próximo e o
estrangeiro em toda a sua diferença, a reconhecer que a presença de Cristo,
neles, determina o nosso compromisso e a busca de nossa tarefa ecumênica. O
oitavo dia se volta para a esperança no final de nossa peregrinação, que nos
conduz à plenitude da presença do Cristo. Ao longo de todo o caminho, somos
levados a descobrir que os outros cristãos não são mais estrangeiros, mas
companheiros de viagem, e a antecipar juntos o dia em que nós nos manteremos,
uns ao lado dos outros, na presença de Cristo.
Preparação dos textos para a Semana de oração
pela unidade dos cristãos 2006
O projeto inicial graças ao qual este livrinho pôde ser realizado foi preparado
por um grupo ecumênico de Dublin. Nós dirigimos nossos sinceros agradecimentos a
todos os membros do grupo preparatório irlandês:
Pe. Irineu Ioan Cracioun (Igreja greco-ortodoxa da Anunciação em Dublin)
Pe. Thanasius George (Igreja copta ortodoxa da Irlanda)
Revda. Elizabeth Hewitt (Igreja metodista da Irlanda)
Revda. Mary Hunter (Igreja presbiteriana da Irlanda)
Pe. Hugh Kennedy (Igreja católica)
Pe. Brendan Leahy (Igreja católica)
Pastor Fritz-Gert Mayer (Igreja luterana da Irlanda)
Pe. John McCann (Igreja católica)
Rev. Alan McCormack (Igreja da Irlanda)
Pe. Godfrey O’Donnell (Igreja ortodoxa romena da Irlanda)
A versão definitiva destes textos foi finalizada por ocasião do encontro do
grupo preparatório internacional nomeado pela Comissão Fé e Constituição do
Conselho Mundial de Igrejas e o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade
dos Cristãos da Igreja Católica. Este grupo internacional reuniu-se no Centro
dos Focolares próximo do Prosperous no County Kildare (Irlanda) graças ao
generoso apoio da Conferência Episcopal Irlandesa. Nós temos que agradecer ao
Arcebispo Séan Brady, ao Bispo Anthony Farquhar e ao Pe. Brendan Leahy, assim
como a toda a equipe do Centro dos Focolares pela sua hospitalidade muito amável
e por tudo o que eles fizeram para facilitar o trabalho do grupo preparatório
internacional.
Celebração Ecumênica
Apresentação
A celebração se baseia sobre dois temas:
Tema A – “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome”. A idéia subjacente
é de encorajar e de reforçar a comunhão fraternal do povo de Deus nas pequenas
comunidades, e mesmo nas grandes assembléias, na vida cotidiana assim como nas
celebrações litúrgicas oficiais. A resposta fiel ao apelo de Deus não está
limitada às assembléias de massa, mas implica o encontro no amor, a oração e o
estudo da Bíblia por “dois ou três” reunidos em nome de Jesus. De fato, estas
são as vidas de pessoas unidas por um amor mútuo que realizam o Reino de Deus
sobre a terra.
Tema B - “Entao Pedro se aproximou dele e disse: ‘Senhor, quando meu irmão
comete uma falta contra mim, quantas vezes devo eu perdoá-lo? Até sete vezes?
’Jesus respondeu: ‘Eu não te digo apenas sete vezes, mas setenta vezes sete
vezes’”. Nós falamos de perdão, mas raramente buscamos perdoar-nos mutuamente
uns aos outros.
Uma forte corrente de arrependimento está subjacente em toda esta celebração.
Coloca-se em evidência, na oração conclusiva do ato penitencial, que pede
especificamente: “perdoa-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem
nos tem ofendido”.
Leituras bíblicas
Os textos foram escolhidos de modo a refletir um modelo coerente da presença de
Deus em meio ao seu povo, que encontramos do início ao fim das Escrituras.
No Antigo Testamento, Deus livrou seu povo da escravidão no Egito e o conduziu
através de uma coluna de nuvem durante o dia e uma coluna de fogo durante a
noite. Ele nunca abandonou seu povo.
O Salmo evoca as maravilhas que Deus realizou; ele convida seu povo a se lembrar
de seus atos e de os transmitir a seus descendentes.
No texto do Apocalipse, o autor faz um apanhado do Reino de Deus onde o Povo de
Deus ‘reinará para sempre’.
O Evangelho tem seu lugar ao término das leituras porque este reino eterno de
Deus anunciado pelo Apocalipse se funda sobre a presença de Deus a seu povo
vivido na carne e no sangue de Jesus seu Filho. Jesus anuncia o Reino de Deus.
Nele está o cumprimento desta presença de Deus.
Ação de graças e de intercessão
Estas orações se propõem a coordenar a ação de graças pela potente obra de
misericórdia de Deus já realizada em favor de seu povo, reconhecendo todos que
ele ainda tem muito a realizar, se realmente queremos fazer a vontade de Deus no
mundo.
Símbolos
O uso de diferentes símbolos e representações é possível: a cruz celta em
particular, levada diante da assembléia; o símbolo dos pregos da cruz utilizados
eventualmente no momento do ato penitencial. As velas, em número de sete,
poderiam representar as sete igrejas e os sete candelabros de ouro do primeiro
capítulo do Apocalípse.
No entanto, o simbolismo está estreitamente ligado à cultura, às circunstâncias
e à sensibilidade das comunidades, nós preferimos omitir toda referência
específica ao uso de símbolos, no desenrolar da celebração. Os grupos nacionais
são convidados a encontrar os símbolos que melhor expressam os temas em seu
contexto social e cultural.
Para os textos da Palavra de Deus utilizar a Tradução Ecumência da Bíblia (TEB).
Utilizar também, de preferência, as versões ecumênicas existentes do texto
original do Símbolo Niceno-Constantinopolitano e do Pai Nosso.
Desencadeamento da celebração
Saudação
Leitor Que a graça e a paz estejam com vocês.
Assembléia Que a graça e a paz estejam com vocês.
L e A Em nome de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.
Abertura
A saudação litúrgica é seguida da apresentação das comunidades e de seus
responsáveis que participam da celebração. Uma vez que começam a render graças a
Deus, é uma ocasião para as pessoas, reunidas, se apresentarem e se engajarem em
um espírito de comunhão fraterna e de recíprocas boas-vindas.
Introdução (Ela pode se inspirar nestas linhas)
Como em vários países, desenvolveu-se na Irlanda uma forte cultura espiritual e
missionária, mas também uma longa e dolorosa história. Metas e aspirações
políticas e religiosas dividiram as comunidades e causaram reais feridas em
todos os lados. Deus estava presente na dor e aliviou um grande número de
feridas psíquicas e psicológicas que foram inflingidas. Nestes pequenos grupos
de duas ou três pessoas, e nas de grandes assembléias de centenas de
participantes, sentimos a presença reconfortante e misericoridosa de Deus. Por
todas estas razões, os cristãos da Irlanda puderam colocar, no centro de suas
experiências de crentes, estas palavras de Jesus: “Onde dois ou três estiverem
reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles”(Mt 18,20).
Deus chama seu povo a se unir e ele mostra que o amor e o perdão caminham
juntos. A experiência de Cristo sobre a cruz chama os cristãos a se darem as
mãos e a perdoar. Nos campos e nas aldeias, nos burgos e nas grandes cidades, o
povo de Deus é chamado a encontrar um caminho para progredir, confessando e
reconhecendo as ofensas e os sofrimentos inflingidos às pessoas e, nesta ótica,
a procurar o perdão e a plenitude do novo caminho de Cristo.
Ação de graças / Hino / Música
Litania da presença de Cristo
L. 1 Jesus, Senhor ressuscitado,
A Nós estamos reunidos em teu nome.
L. 1 Jesus, Bom Pastor,
A Nós estamos reunidos em teu nome.
L. 1 Jesus, Palavra de vida,
A Nós estamos reunidos em teu nome.
L. 1 Jesus, amigo dos pobres,
A Nós estamos reunidos em teu nome.
L. 1 Jesus, fonte de todo perdão,
A Nós estamos reunidos em teu nome.
L. 1 Jesus, Príncipe da paz,
A Nós estamos reunidos em teu nome.
A Senhor Jesus Cristo,
Tu nos chamas a nos reunir na fé e no amor.
Insufla, ainda, em nós, a vida nova de teu Espírito Santo,
A fim de que nós possamos entender tua Santa Palavra
Rezar em teu nome,
Buscar a unidade entre os cristãos
E viver mais plenamente a fé que nós professamos.
A ti, toda glória e toda honra
Com o Pai, e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos.
Amém.
Ação de graças / Hino / Música
Proclamação da Palavra
Êxodo 40, 1-4 e 34-38
(Reflexão sobre a presença de Deus durante a errância de seu povo no deserto)
Salmo 78 (77), 1-8
(Reflexão sobre a memória das façanhas de Deus, de seus feitos e o chamado à
fidelidade) (Ler em dois coros alternadamente)
Apocalipse 22, 1-5
(Reflexão sobre a glória suprema da presença de Deus em meio ao seu povo até que
seu Reino seja instaurado)
Mateus 18, 15-22
(Reflexão sobre as tensões que existem na realidade reconhecendo a presença de
Deus em meio ao seu povo, por modesta que seja a assembléia).
Homilia / Meditação
Profissão de fé
O símbolo Niceno-Constantinopolitano ou o símbolo dos Apóstolos
(Se for utilizado no contexto desta celebração ecumênica o texto original do
símbolo de Nicéia-Constantinopla, adotar uma tradução ecumênica)
Ação de graças /Hino/Música
Ato de arrependimento
(A assembléia se volta para o altar / a mesa eucarística)
L Existem várias maneiras de ser infiéis àquilo que nos tornamos, mediante o
batismo, e de faltar ao nosso engajamento e à nossa obediência para com Deus;
por isso, dirigimos ao Senhor a nossa prece de arrependimento.
A Deus vivente, nós reconhecemos nossa incapacidade de viver como irmãos e
irmãs, como teus filhos.
Deus amante, nós reconhecemos que não temos te amado como tu nos tens amado.
Kyrie eleison
Deus misericordioso, nós reconhecemos ter duvidado de tua Palavra e não ter
obedecido a teu ensinamento.
Deus clemente, nós reconhecemos nosso desejo de te possuir e de nos fechar em
nossas doutrinas e nossas teologias.
Kyrie eleison
Deus potente, nós reconhecemos não tê-lo reconhecido como Senhor de toda a
terra.
Perdoe-nos e salve-nos porque nós não permitimos que tua presença brilhe em
nosso meio.
Kyrie eleison
L De diversas maneiras, nós falhamos no nosso engajamento e na nossa obediência
para com os nossos semelhantes. Nós nos voltamos para o nosso próximo e para os
nossos amigos e fazemos, por eles, as nossas orações de arrependimento.
Em algumas assembléias, mesmo numerosas, é possível recitar alternadamente este
ato de arrependimento colocando-se frente a frente. Esta disposição exprime que
nós nos reconhecemos pecadores diante de Deus e uns em relação aos outros.
Portanto, convém formular expressões de arrependimento próprias às situações
locais.
A Irmãs e irmãos em Cristo, nós nos reconhecemos pecadores e constatamos nossas
falhas no relacionamento fraterno.
Irmãs e irmãos em Cristo, nós reconhecemos nosso orgulho fútil e nosso
egocentrismo.
Kyrie eleison
Irmãs e irmãos em Cristo, nós reconhecemos ter lhes virado as costas quando mais
necessitaram de nós.
Irmãs e irmãos em Cristo, nós reconhecemos não ter visto o Cristo ressuscitado
no estrangeiro que estava em nosso meio.
Kyrie eleison
Irmãs e irmãos em Cristo, nós confessamos desejar uma vida fácil, uma vida
confortável, uma vida que não exija de nós.
Perdoa nossas incapacidades de mostrar o amor de Cristo e tudo o que omitimos em
relação aos irmãos.
Kyrie eleison
(A assembléia se volta de novo para o altar/a mesa eucarística)
L Possa cada um de nós entender as palavras de perdão de Jesus a fim de nos
desviar do falso caminho e seguir a via da reconciliação, da amizade, do amor e
da unidade indicada pelo Salvador. Na harmonia e na paz, digamos a oração que
ele ensinou a seus discípulos:
A Pai Nosso que estás no céu...
L Realizemos em nossas vidas aquilo que nós confessamos com nossos lábios.
Oferecendo-nos o sinal de paz, renovamos nosso engajamento por um novo modo de
vida, que faz de nossa confissão a Deus, e de uns aos outros, uma etapa decisiva
na vida de cada um de nós.
O sinal de Paz
Certas assembléias podem, neste momento da celebração, se deslocar a um outro
lugar da igreja, seja em torno do livro da Palavra de Deus, seja em torno do
altar/ da mesa eucarística. Este deslocamento exprime a atitude interior e
comunitária de conversão, em nome de Jesus, em sua presença. Uma sugestão:
trazer uma reprodução da cruz celta, no momento deste deslocamento, desde a
entrada até a assembléia.
Outros gestos podem ser aqui propostos: troca entre os membros da assembléia, um
versículo da Escritura, ou uma palavra de paz ou de misericórdia...
Orações de ação de graças e intercessão (celebrantes / leitores e a assembléia)
Nós recordamos as maravilhas de Deus, rezemos juntos:
L 1 Senhor do céu e da terra, nós começamos a escutar teu Espírito Santo que nos
chama à unidade em Cristo.
A Nós te agradecemos, Senhor.
L 2 Possamos nós estar mais atentos à tua inspiração e mais dispostos a nos
ouvir uns aos outros.
A Nós te pedimos, Senhor.
L 2 Nós começamos a dialogar uns com os outros, celebrando nossa fé comum, que
possamos também compreender e aceitar nossas diferenças.
A Nós te pedimos, Senhor.
L 2 Que o trabalho paciente dos pastores, dos teólogos e dos cristãos possa
continuar a progredir e produzir frutos duráveis.
A Nós te pedimos, Senhor.
L 1 Pelos acordos concluídos concernentes à teologia e à vida pastoral,
A Nós te agradecemos, Senhor.
L 2 Possamos nós nos afrontar com as questões difíceis que nos dividem, ainda,
para resolvê-las.
A Nós te pedimos, Senhor.
L 1 Pelos nossos encontros anuais de oração pela unidade dos cristãos,
A Nós te agradecemos, Senhor.
L 2 Possa a oração, em comum, tornar um elemento natural de nossas comunidades
locais.
A Nós te pedimos, Senhor.
L 1 Pelo testemunho comum em Cristo, que nós manifestamos em períodos de crise,
de justiça, de paz e de ajuda humanitária.
A Nós te agradecemos, Senhor.
L 2 Que nossa unidade possa um dia se tornar tal, que o mundo inteiro creia em
Cristo que tu enviastes.
A Nós te pedimos, Senhor.
L 1 Pelo progresso do diálogo inter-religioso no mundo,
A Nós te agradecemos, Senhor.
L 2 Possamos nós, de agora em diante, engajados neste diálogo, perceber mais e
mais a urgência de nossa plena comunhão, entre cristãos, como testemunho diante
dos outros crentes.
A Nós te pedimos, Senhor.
L 1 Por todas as famílias interconfessionais, vivas testemunhas de comunhão das
pessoas, no amor da Pai, do Filho e do Espírito Santo.
A Nós te agradecemos, Senhor.
L 2 Possa nossa vida familiar, contribuir para a alegria em Cristo dos membros
de nossas igrejas.
A Nós te pedimos, Senhor.
L 1 Pelos imensos progressos de nossas igrejas, em sua comum concepção da
Palavra de Deus, a fonte da Revelação, e pelo caminho já percorrido em vista da
celebração comum da eucaristia.
A Nós te agradecemos, Senhor.
L 2 Que esta esperança de partilhar um dia a mesma mesa e de beber na mesma
taça, reforce nosso desejo de fazer tua vontade para receber de Ti este dom.
A Nós te pedimos, Senhor.
(Outras intenções segundo o contexto local da assembléia)
Ação de graças / Hino / Música
Envio
A Abre os nossos olhos à tua presença.
Abre nossos ouvidos ao teu chamado.
Abre nossos corações ao teu amor.
Que nossos braços se abram aos outros.
Que nossos corações se abram aos estrangeiros.
Que nossas portas se abram àqueles que batem.
Que nós estejamos abertos a ti, Senhor.
Abre este dia hoje e para sempre.
Flame in my heart – St Aidan for Today (David Adams, Triangle Press SPCK)
A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo,
amor de Deus
E a comunhão do Espírito Santo
Estejam sempre com conosco, hoje e por todos os séculos dos séculos. Amém
Tradicional hino espiritual celta
Seja a minha visão, ó Senhor de meu coração,
Todo o resto não me é nada, somente tu existes
Tu és meu melhor pensamento dia e noite,
Acordado ou dormindo, tua presença é minha luz.
Seja minha sabedoria, seja minha verdadeira palavra
Eu sempre contigo e Tu sempre comigo, Senhor;
Tu meu Pai supremo, e eu teu verdadeiro filho;
Tu permanecerás em mim, e eu um contigo.
Eu não necessito de nenhuma riqueza, nem de vãos elogios humanos,
Tu és meu patrimônio todo o tempo de meus dias;
Tu, somente tu, o primeiro em meu coração,
Grande Rei dos céus, tu és meu tesouro!
Grande Rei dos céus, resplandecente sol do céu,
Conceda-me tuas alegrias depois da vitória;
Cristo do meu coração, seja o que vier,
Seja sempre minha visão, ó soberano do universo.
Canto Irlandes do Século VIII.
Primeiro dia
Unidos pela presença de Cristo
“Um só Senhor, uma só fé, um só batismo” (Ef 4, 5-6)
Ez 37, 15-28 Minha morada será junto a eles
Sl 67 (66) Que os povos te rendam graças, Deus
Ef 4, 1-6 Um só Senhor, uma só fé, um só batismo
Jo 14, 23-27 Nós iremos a ele e estabeleceremos nele nossa morada
Comentário
As Escrituras sublinham que Deus quer a unidade de seu povo. Para o profeta
Ezequiel, Deus afirma que Judá e Israel – dois reinos separados, freqüentemente
em desacordo – serão novamente um. Por sua presença purificadora, Deus os
fortificará e os abençoará em uma aliança de paz.
Nós respondemos naturalmente com gratidão e louvor pelo Dom da unidade que Deus
nos oferece. O salmista convida a todas as nações a se unirem pelo louvor a Deus
cuja potência salvadora será reconhecida por todas as nações e através do mundo
inteiro.
Jesus ensina a seus primeiros discípulos que, com o Pai, ele estará presente
neles, que ele “morará” em todos aqueles que o amam. Ele promete-lhes igualmente
que a sua presença não terá fim com sua morte: ele continuará a estar com cada
um de seus discípulos - e conosco, hoje – através do Espírito Santo.
Mas a promessa da presença de Jesus não se limita aos crentes tomados
individualmente: portanto, afirma o evangelista Mateus, se dois ou três
estiverem reunidos, em nome de Jesus, eles formam uma comunidade, no seio da
qual Jesus prometeu estar presente para fortificar e acompanhar todos os membros
ao longo de sua caminhada.
Nosso reconhecimento mútuo pelo batismo mostra, com força, esta pertença comum.
Pelo batismo, Jesus chama cada um de nós e o faz pertencer a seu corpo, à
Igreja. Pertencendo a Cristo, nós pertencemos todos uns aos outros. Esta
pertença comum – a Cristo e a cada um dentre nós – faz com que sejamos um,
apesar de nosso passado, de nossa cultura e de nossas convicções teológicas
diferentes: porque “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei
no meio deles”(Mt 18, 20).
Oração
Senhor, nós te agradecemos pela tua presença em nosso meio; ela nos fortifica e
nos encoraja em nossa caminhada. Torna-nos conscientes de tua presença em nós e
sensíveis a tudo aquilo que nos sugeres em todas as nossas ações. Conceda-nos a
sabedoria e a humildade a fim de que nós possamos reconhecer tua presença em
nossos irmãos e nossas irmãs. E, que sejamos, Senhor, verdadeiramente um. Amém.
Segundo dia
Construir a unidade dos cristãos com Jesus no meio de nós
Um ecumenismo no cotidiano
“Também vós deveis lavar os pés uns dos outros” (Jo 13,14)
Dt 30, 15-20 Então tu viverás, tu te tornarás numeroso
Sl 133 (132) Que alegria de se encontrar entre irmãos
1 Co 12, 12-31 Deus dispôs no corpo cada um dos membros segundo sua vontade, vós
sois seus membros, cada um por sua parte
Jo 13, 1-15 Vós deveis também lavar os pés uns dos outros
Comentário
Como indica o salmista, a unidade é atraente. Em razão da presença de Cristo em
nosso meio, todos os cristãos têm a tarefa de tornar o cotidiano de suas
comunidades mais conformes ao Espírito do Evangelho.
Na noite antes de morrer, lavando os pés de seus discípulos, Jesus nos deixou o
modelo muito concreto do modo de agir do cristão em relação ao próximo. Em 1 Cor
12, São Paulo acrescenta à necessidade de cuidar do outro, o fato de que no
Espírito Santo cada um é diferente, embora pertencendo ao mesmo corpo. A palavra
de Deus nos convida a praticar um serviço muito concreto à irmã e ao irmão, na
Igreja, que temos por missão fazê-la crescer para o serviço do mundo.
A participação na vida da Santíssima Trindade não é a simples afirmação de um
artigo de fé. Ela nos obriga a nos engajar no cotidiano de um trabalho
ecumênico, para que a igreja reflita, ainda mais, a comunhão trinitária. Em Deus
Uno, que nós confessamos, com nossos irmãos monoteístas, não é ele para os
cristãos o modelo a imitar de um amor mútuo que se opera entre o Pai, o Filho e
o Espírito Santo? Avançar com o Cristo implica, portanto, a solicitude entre os
membros da Igreja, porque aquilo que é realizado de positivo, mas isoladamente,
embora modesto, não tem o mesmo valor do que é construído junto.
Lavar os pés de seus irmãos, mais que um simples gesto, é também uma abertura do
coração na fidelidade a Jesus que nos convida a servir a Igreja una na qual nós
queremos ser as pedras viventes e os construtores.
Oração
Pai Eterno, unidos em nome de teu Filho Jesus Cristo e na presença de teu
Espírito consolador, nós nos engajamos a construir a comunidade cristã, com um
coração e um entusiamo renovados pelo fogo de teu amor.
Ajuda-nos a viver com aqueles que estão ao nosso lado, um ecumenismo no
cotidiano, à imagem de teu Filho, que lavou os pés de seus discípulos, para
fazê-los entrar juntos na vida nova de sua presença. Amém.
Terceiro dia
Rezar juntos em nome de Jesus
“O Senhor espera o momento de conceder-lhes graças”( Is 30,18).
Is 30, 18-26 Ele vos concederá graças certamente
Sl 136 (135) Sua fidelidade é para sempre
At 1, 12-14 Reunidos em oração
Mt 18, 18-20 Rezar em nome de Jesus
Comentário
Reunir-se para a oração, em uma só e única comunidade, apesar das diferenças que
persistem no plano humano, é um tema muito presente na Bíblia. As comunidades se
reúnem para celebrar e louvar a Deus, implorar seu perdão e interceder junto
dele a fim de obter sua misericórdia e sua ajuda. A bondade de Deus nos aparece,
ainda mais claramente, pelo fato que o Senhor é um Deus de justiça. Pela oração,
nós respondemos à justiça de Deus, àquilo que Deus primeiramente realizou por
nós porque “Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores”. Através de
toda a Bíblia, a identidade de Deus nos é revelada: seu amor misericordioso nos
salva.
Os salmos foram conservados como os hinos e as orações que eram recitadas pelo
povo de Deus, quando ele se reunia para celebrar o culto divino. Estas palavras
pronunciadas juntas, criavam um laço de unidade entre os fiéis e também um
sentimento de pertença comum que, por sua vez, lhes dava confiança e serenidade.
Era natural que esta tradição continuasse na Igreja primitiva. Jesus mesmo não
ensinou a seus discípulos a rezar? No Evangelho de hoje, Jesus fala daquilo que
nos será concedido, se nós nos colocarmos de acordo, seja qual for o nosso
pedido. Quando nós, cristãos, nos reunimos no amor para rezar uns com os outros,
nós podemos estar seguros de que o Cristo está presente entre nós. Juntos,
quando nós rezamos em nome de Jesus Cristo, é por ele que estamos ligados uns
aos outros bem como ao objeto de nossa oração. Eis porque a oração comum é uma
oração eficaz.
Os discípulos de Cristo se consagravam à oração e buscavam a unidade. É bastante
provável que se Jesus rezou, à vigília de sua morte, pela unidade de seus
discípulos, é porque eles ainda não estavam reunidos em seu nome. Vinte séculos
mais tarde, nós temos o dever de nos perguntar: estamos nós hoje mais próximos
da unidade na oração , na vida e na ação comum? De fato, nossa unidade é um Dom
que nos vem de Deus. E mais, nós somos conscientes de que este Dom, nós devemos
sem cessar buscá-lo na humildade. O Apóstolo nos exorta a rezar sem parar a fim
de que o Espírito Santo se derrame de novo sobre nós, e apesar de todas as
nossas diversidades, nos una num só corpo.
Oração
Senhor, ensina-nos a rezar como Jesus ensinou a seus discípulos. Possamos nós
ser um na fé, no amor e no serviço como eles, que tinham um só coração. Dá-nos
celebrar nossa diferença, alegrar-nos na diversidade e partilhar de todo coração
as riquezas de nossas respectivas orações. Faze que nosso encontro em nome de
Jesus nos transforme a fim de que nós sejamos verdadeiramente um e que o mundo
creia em sua presença fiel. Amém.
Quarto dia
Do passado ao futuro: perdão e cura das memórias
“Eu não te digo apenas sete vezes, mas setenta vezes sete vezes”(Mt 18, 22)
Jn 3 Arrependimento de Nínive, a grande cidade
Sl 51 (50) Um chamado à misericórdia
Col 3, 12-17 Acima de tudo revesti-vos do amor.
Jo 8, 1-11 Eu também não te condeno.
Comentário
O reconhecimento dos pecados do passado, a graça do perdão e o restabelecimento
da comunhão são os temas que encontramos nestes textos. Em suas relações mútuas,
nossas comunidades cristãs levam ainda os traços de um passado marcado pela
fraqueza humana e pelo pecado. Certas feridas estão a caminho da cura, outras
são ainda fonte de dor e de divisão. O confronto com o passado, pode ser difícil
e exigir um sincero exame de consciência, tanto pessoal como comunitário. E
portanto, é a caminhada que Deus quer realizar conosco para que nós sejamos
sempre mais, o seu povo eleito e para que a paz de Cristo reine em nossos
corações e entre nós.
Jonas exorta aos habitantes de Nínive a se conduzirem honestamente confessando
seu egocentrismo, seu desprezo pelo bem e seus atos de violência. Ele dirige
este apelo à cidade inteira e a todos os seus habitantes. Cada um deve se
converter de sua má inclinação e da violência que ainda permanece presa às suas
mãos.
O Salmista implora o perdão de Deus, estando ele mesmo profundamente perturbado
pelo seu passado. Ele reconhece seus erros e pede a Deus que não o abandone. Ele
se sente também responsável pelos outros e deseja indicar-lhes o caminho da
verdade e de uma vida direita a fim de que eles possam, eles mesmos, se
reconciliarem com Deus.
Os escribas e os fariseus não vêem na mulher adúltera senão a queda e o pecado.
Eles a identificam com seu passado. Ao mesmo tempo, eles se recusam a reconhecer
o seu próprio passado e seus próprios pecados. Jesus nos convida a não atirar a
primeira pedra, a não condenar e, finalmente, a não mais pecar. Nossa busca pela
unidade se fundamenta sobre este apelo.
O perdão não se mede, ele é inesgotável como o amor de Deus: até setenta vezes
sete vezes. Em sua caminhada ecumênica, nossas comunidades são chamadas a
testemunhar a misericórida de Deus naquilo que ela tem de infinito.
Oração
Deus de reconciliação, ajuda-nos a superar as decepções e amarguras que se
acumularam em nossos fracassos e os pecados do passado. Mostra-nos o teu perdão
para que nós possamos, com toda humildade, buscar a reconciliação contigo e com
nosso próximo. Reforça, em nós, o amor de Cristo, fonte e garantia de unidade da
tua Igreja. Amém.
Quinto dia
A presença de Deus em nosso meio: um apelo à paz
“Ele está conosco, o Senhor” (Sl 46)
1 Re 19, 1-13a No murmúrio de uma brisa leve
Sl 46 (45) Ele está conosco, o Senhor
At 10, 9-48 Deus não faz acepção de pessoas
Lc 10, 25-37 E quem é meu próximo?
Comentário
Meditando os textos bíblicos que falam da presença de Deus entre nós,
encontramos algumas interpelações fortes para nossa caminhada ecumênica.
Como no tempo de Elias, Deus não está na tempestade ou nos tremores da terra.
Está presente na serenidade da brisa leve que manifesta sua presença agradável e
reconfortante.
A convicção do salmista deve nos animar: Deus é nossa única força. A exemplo de
Deus, que quebra os arcos e rompe as lanças, somos convidados a colocar termo a
todo conflito.
O episódio relatado nos Atos dos Apóstolos nos convida a contemplar o Espírito
de Cristo Ressuscitado atuando em todo o mundo. À imagem de um Deus, que não faz
acepção de pessoas, nós devemos aprender a superar as fronteiras muito humanas.
A parábola do bom Samaritano lembra-nos que não podemos desviar o nosso olhar
quando encontramos um irmão ou uma irmã desprovidos à beira do caminho. Como
poderíamos nós não nos sentir solidários quando uma outra comunidade eclesial
está em dificuldade?
Oração
Reunidos, em nome de Cristo Jesus, nós te pedimos, Pai: torna-nos atentos à tua
presença neste mundo e ajuda-nos a discernir os caminhos sobre os quais tu
queres nos conduzir, em nossa peregrinação ecumênica. A Ti, toda honra e toda
glória pelos séculos dos séculos. Amém.
Sexto dia
Ser missionários em nome de Cristo
“Assim vosso Pai que está nos céus não quer que nenhum destes pequeninos se
perca” (Mt 18,14)
Dn 3, 19-30 Testemunhar a fé
Sl 146 (145) Louvor a Deus nosso Salvador
At 8, 26-40 Filipe anuncia a Boa Nova ao eunuco etíope
Lc 10, 1-12 Jesus envia seus discípulos
Comentário
Nós encontramos, hoje, pessoas que Deus chama a testemunhar a sua fé. Shadrak,
Meshak e Abed-Negô crentes fortemente e de maneira inesgotável Naquele que os
salvou. Seu fervor, sua coragem e seu testemunho comum, na presença de um grande
perigo, convencem o Rei e seus conselheiros que o Deus deles é o verdadeiro
Deus. Seu testemunho de fé permitiu, assim, reunir os membros mais temerosos de
Israel. O povo de Deus fortificou-se e, mais uma vez, uniu-se em torno de seu
Deus.
O salmista canta os louvores de Deus, que vem em ajuda de seu povo, em numerosas
circunstâncias, a fim de que ele encontre a segurança e a salvação. O fato de
Deus nos ter enviado seu Filho confirma de maneira suprema a preocupação
constante que ele tem para com seu povo: Jesus não reúne somente aqueles que são
fracos ou estão perdidos; ele espera também, de seus discípulos, que se engajem
com paixão, como missionários, em seu nome, a espalhar a Boa Nova do Reino de
Deus.
Em Filipe se reflete o entusiasmo da Igreja primitiva. O apóstolo aproveita de
todas as ocasiões que se oferecem a ele para cumprir a missão de Jesus.
Hoje, enquanto discípulos de Cristo, somos chamados a ser um povo missionário. A
mensagem do Evangelho é sempre mais eficaz quando os cristãos testemunham juntos
sua fé. É, agora, nossa vez de partilhar a Boa Nova com todos os nossos
semelhantes. Nós somos chamados a:
• dar prova de coragem diante da incredulidade;
• abandonar o conforto que nos oferecem nossa própria cultura e nossa tradição
religiosa;
• encontrar novos meios, inovadores, para proclamar a Boa Nova de Jesus Cristo;
• ser entusiastas e apaixonados pela nossa fé comum;
• ser motivados pela compaixão de Jesus para trabalhar junto em vista de aliviar
os sofrimentos de nosso mundo;
• desafiar a injustiça no mundo e tomar o partido dos pobres.
Diante de um mundo em rápida evolução, os cristãos dão um testemunho comum do
Evangelho abrindo-se ao mundo mas, também, reunindo todos aqueles que estão
desprovidos a fim de que cada um dos mais humildes não seja deixado de lado.
Nós temos, portanto, uma dupla missão a cumprir!
Oração
Deus vivente, desperta, em nós, o desejo de ser um povo missionário. Ajuda-nos a
escutar teu apelo e desperta, em nós, a coragem de nos deixar guiar pelo teu
Espírito. Possamos nós reunir, por nosso testemunho comum, os mais desprovidos a
fim de que eles sejam fortificados e levem ao mundo a Boa Nova de teu Reino.
Amém.
Sétimo dia
Reconhecer a presença de Deus no outro: acolher o outro em nome de Jesus
“Quem acolhe em meu nome uma criança como esta, acolhe a mim mesmo” (Mt 18,5)
Ex 3, 16-17 A Sarça ardente
Sl 34 O Senhor salva os espíritos abatidos
At 9, 1-6 Eu sou Jesus, é a mim que você persegue
Mt 25, 31-46 Jesus está presente no nosso próximo
Comentário
Quando Deus anunciou que libertaria o povo de Israel da escravidão, conduzindo-o
para fora do Egito, em direção a um país onde escorria leite e mel, ele
manifestou sua presença a Moisés, no meio da sarça, que o fogo não podia
consumir. O povo estava assim seguro da presença do Deus de seus pais: “Eu sou
aquele que sou”. Este não era um Deus distante, indiferente, mas uma presença e
uma Pessoa à qual importava a saída do povo que ele havia eleito.
Mais tarde, Deus devia confirmar a natureza de seu ser, na pessoa de seu filho,
Jesus Cristo, que nos recorda que devemos nos tornar como pequenas crianças, se
desejarmos achegar ao Reino de Deus! No seio da Igreja ou na sociedade, não é
nos arrogantes ou orgulhosos que deveríamos procurar o Cristo, mas na inocência
das crianças (e daqueles que se tornaram como elas na inocência e na humildade).
Acolhendo-as no meio de nós, é a Cristo que nós acolhemos. Jesus nos garante,
ainda, a presença de Deus, em nosso meio, quando nós guardamos sua palavra;
quando dois ou três se reúnem em seu nome e quando os homens ou as mulheres são
perseguidos por sua causa.
Sobretudo, com quanto que os cristãos obedeçam ao mandamento dado por Cristo
desde a última Ceia “Fazei isto em memória de mim” – e bem que nós possamos não
estar de acordo sobre a natureza da presença de Jesus em sua mesa - nós estamos
certos de que ele está presente em nosso coração e nosso espírito.
Quando nós damos de comer àqueles que estão famintos, cuidamos dos enfermos,
visitamos os prisioneiros, vestimos aqueles que estão nus e abrimos nossas
portas ao estrangeiro, é a Jesus que nós o fazemos e é igualmente a ele que nós
acolhemos. O Conselho Ecumênico das Igrejas foi fundado em 1948, em parte para
responder à necessidade urgente, que sentiam os cristãos, de participar do
trabalho de reconciliação e de ajudar aqueles cujas vidas estavam devastadas
pela segunda guerra mundial. Este serviço ecumênico continua sendo hoje uma
grande urgência.
Paralelamente, os teólogos se esforçam para encontrar o caminho capaz de nos
levar a uma maior unidade na igreja. Aí também, a palavra “estrangeiro” é uma
palavra chave. Jesus nos disse que deveríamos amar nosso próximo com toda a sua
diferença. Esta indicação muito clara que nos foi dada, reconhecer que o
estrangeiro, o outro, é o próprio Cristo, representa um elemento fundamental da
maneira com a qual podemos abraçar e fazer avançar a causa ecumênica. Se nós
reconhecemos a presença de Cristo no estrangeiro, proveniente de uma outra
tradição eclesial, nós não devemos ter medo dele ou de suas intenções. Ao
contrário, nós podemos aprender dele e ele, de nós. De certo modo, é bem
provável que nós progridamos no caminho da unidade.
É tendo consciência da presença constante de Jesus, de vários modos, que
reconhecemos que ele faz parte de nossa vida. Não é simplesmente um personagem
histórico que nos ensinou como nós devamos viver, mas graças ao Espírito Santo,
ele está presente e age no mundo de hoje.
Oração
Pai eterno, dá-nos reconhecer que tu estás presente entre nós, de diferentes
modos, a fim de que cresça nosso desejo de chegar a uma comunhão autêntica em
nossas próprias igrejas e na sociedade onde vivemos e que nossa oração pela
unidade do corpo de Cristo, tua Igreja, torne sempre mais fervente. Em nome de
Jesus Cristo, nós te pedimos. Amém.
Oitavo dia
Unidos na esperança
“Naquele dia, conhecereis que eu estou no meu Pai e que vós estais em mim e eu
em vós” (Jo 14, 20)
Ex 40, 34-38 A cada etapa de seu êxdo, a nuvem do Senhor estava em sua habitação
Sl 42(41) Espera em Deus! Sim, eu o celebrarei ainda
Ap 21, 1-6 Ele será o Deus que está com eles
Jo 14, 15-31 Eu não os deixarei órfãos
Comentário
Moisés conduziu o povo de Israel no deserto. Enquanto eles atravessavam, Deus
estava lá sob a forma de uma nuvem durante o dia e, durante a noite, ela era
luminosa.
O tema do salmo é o desejo vital e a esperança de realizar a comunidade de Deus
que fará desaparecer todas as dúvidas e os castigos.
O novo povo, nascido do Evangelho, é um povo peregrino, em caminho para a
plenitude da vida, na nova criação, onde Deus habita entre nós, enxugando todas
as nossas lágrimas. A morte não existirá mais. A dor e as divisões serão
superadas. E não haverá mais que uma única humanidade renovada e reunida em
Deus.
Hoje, nós percorremos juntos o mesmo caminho. Nós vivemos na mesma esperança e
pertencemos ao mesmo Deus. Nesta peregrinação, nós não somos órfãos. Jesus não
nos abandonou porque nós temos recebido o Espírito da esperança e do amor. O
Cristo nos doou sua paz que nos encoraja e nos guia a fim de que permaneçamos no
amor. Se nós amamos a Cristo, nós seremos fiéis à sua palavra.
O tema desta semana nos recorda a promessa de Jesus: “Onde dois ou três
estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles”. Com Jesus, Palavra
eterna e viva de Deus entre nós, caminhamos juntos na esperança. Podemos nos
ajudar mutuamente para permanecer fiéis a este engajamento. Pelo poder do
Espírito, Jesus Cristo nos fará conhecer, sempre mais profundamente, a vontade
de renovação que é a vontade do Pai. No seio do movimento ecumênico, nós
aspiramos a nos tornar uma comunidade que foi reconciliada e que reconcilia; ela
constitui um sinal e um antegozo da nova criação que está por vir. Com a graça,
nós empreendemos esta peregrinação para viver o melhor possível desde agora “na
terra como no céu”.
Oração
Pai eterno, reunidos em nome de Jesus, nós te pedimos a certeza de que apesar de
tudo, a morte não prevalecerá, que nossas divisões cessarão, que nós não nos
deixaremos vencer pelo desalento e que, na esperança, chegaremos à plenitude da
vida, do amor e da luz que tu prometeste a todos os que te amam e são fiéis à
tua palavra. Amém.
Orações suplementares da tradição irlandesa[1]
O Rei da sexta-feira (antiga oração irlandesa)
Ó Senhor, cujos membros foram estendidos sobre a cruz, tu que aguentaste os
golpes, as feridas e as provas, estendendo-nos sobre os escudos do teu poder,
nós te pedimos, nesta noite, que possamos colher os frutos da árvore de tua
Páscoa.
Oração de São Patrício
Eu me levanto hoje,
Por uma grande força,
A invocação à Trindade,
A crença na Trindade,
A confissão da unidade do Criador do mundo.
Eu me levanto hoje,
Pela força do nascimento de Cristo e de seu Batismo,
A força de sua Crucificação e de Sua descida ao túmulo,
A força de Sua Ressurreição e de sua Ascensão,
A força de Sua Vinda no dia do julgamento.
Eu me levanto hoje,
Pela força de Deus para me guiar,
Força de Deus para me sustentar,
Inteligência de Deus para me conduzir,
Olho de Deus para velar diante de mim,
Ouvido de Deus para me escutar,
Palavra de Deus para falar por mim,
Mão de Deus para me proteger.
O Cristo comigo,
O Cristo diante de mim,
O Cristo atrás de mim,
O Cristo em mim,
O Cristo acima de mim,
O Cristo abaixo de mim,
O Cristo à minha direita,
O Cristo à minha esquerda,
O Cristo em amplidão,
O Cristo em extensão,
O Cristo em grandeza,
O Cristo no coração de todo homem que pensa em mim,
O Cristo em todo olho que me vê,
O Cristo em todo ouvido que me escuta,
Eu me levanto hoje,
Por uma força potente,
A invocação à Trindade,
A crença na Trindade,
A confissão de unidade do Criador do mundo,
No Senhor está a Salvação,
No Cristo está a Salvação,
Que Tua Salvação, Senhor, esteja sempre conosco.
Grande Amor[2]
Ó Senhor, que a tudo excedes,
Dom celeste, Amor sem par,
Vem, coroa os teus favores,
Entre nós vem habitar.
Grande Amor, amor bendito,
Ó divina compaixão,
Vem, socorre ao que padece,
Faze nele habitação.
Vem, Senhor, e dia a dia,
Dá-nos tua inspiração;
Vem remove o mau desejo,
Que nos tenta o coração.
Tu somente nos conheces
E nos podes proteger.
Dá-nos, pois, a tua graça,
E com ela o teu poder.
Ó Senhor, não te separes
Do rebanho terrenal,
Une a Igreja estreitamente,
Dá-lhe vida fraternal;
Abençoa todo crente,
Ilumina-lhe o andar,
e que todos se comprazam
Em teu nome proclamar.
Bênção Gálica do Século XV
Que Deus esteja em minha cabeça e em minha razão;
Que Deus esteja em meus olhos e no meu olhar;
Que Deus esteja na minha boca e em minhas palavras;
Que Deus esteja em meu coração e em meu pensamento;
Que Deus esteja em mim até o momento de meu fim e de minha partida.
Velha bênção irlandesa
Que a estrada conduza ao teu encontro,
Que o vento esteja sempre em tuas costas,
Que a luz do sol esquente tua face,
Que a chuva caia docemente sobre teus campos,
E, até que nós nos reencontremos, que Deus te carregue sobre a palma de sua mão.
Amém.
O ecumenismo na Irlanda[3]
St. Patrick’s Breastplate é uma oração célebre que ressoou ao longo de numerosos
séculos na história irlandesa. Ela exprime a esperança que o Cristo esteja “no
coração de todo homem que pensa em mim, em toda boca que me fala, em todo olho
que me vê, em todo ouvido que me entende”. A partir do século VI, é graças aos
missionários irlandeses que Jesus Cristo tornou-se presente na boca, nos olhos,
nos ouvidos e no pensamento de inumeráveis pessoas através de todo o continente
europeu. Hoje, os missionários e os cooperadores Irlandeses de todas as
confissões continuam a oferecer um testemunho eloqüente do espírito cristão de
caridade para com o próximo.
No entanto, mesmo que a origem dos problemas que afetam a Irlanda seja bem mais
de natureza política, cultural, histórica e social do que religiosa, é bem
verdade, também, que no decorrer dos últimos anos, no relato de trágicos
acontecimentos na Irlanda, difundidos pela mídia do mundo inteiro, trata-se
antes de tudo de uma questão de uma luta entre católicos e protestantes.
Infelizmente, é verdade que muitos destes, que perpetuaram estes atos de
violência, se definem como “cristãos”.
É igualmente constrangedor constatar que estes conflitos testemunham, em parte,
divisões trágicas entre os cristãos.
Felizmente, de uns dez anos para cá, o processo de paz na Irlanda do Norte
percorre regularmente seu curso, mesmo que os progressos permaneçam sempre
frágeis. Cada dia, é preciso viver a tolerância e a harmonia, o perdão, a
reconciliação e o respeito mútuo.
Não obstante os terríveis sofrimentos suportados na Irlanda do Norte, mas talvez
também graça a eles, as relações entre os cristãos se transformaram nos últimos
anos. O número atual de encontros e o grau de colaboração e de interação entre
os membros e os responsáveis das diferentes igrejas seriam absolutamente
impensáveis, a quarenta anos. Seria impossível contar as numerosas sementes de
paz que foram semeadas em nível individual e comunitário.
Seguramente, o ecumenismo na Irlanda não se limita apenas aos acontecimentos da
Irlanda do Norte. De fato, a ilha irlandesa está dividida em duas jurisdições, o
que tem igualmente consequências para o diálogo ecumênico. É certo que as
Igrejas operam em nível de toda a Irlanda, nos “universos” diferentes destas
duas jurisdições, as expectativas, as práticas e as experiências ecumênicas são
diversas.
Na República da Irlanda, os católicos gozam de uma grande maioria em relação aos
protestantes minoritários. Por consequência, protestantes e católicos podem tão
simplesmente não ter a ocasião de se encontrar! Na Irlanda do Norte, a diferença
entre o número de católicos e de protestantes não é muito importante mas as
tensões dos últimos decênios fizeram nascer uma atmosfera ecumênica diferente.
As numerosas iniciativas interconfessionais têm lugar na Irlanda e são fonte de
encorajamento. As celebrações, durante a Semana de oração pela unidade dos
cristãos, são agora muito freqüentes. A jornada anual internacional de oração
das mulheres reúne sempre, cada vez mais, mulheres de diferentes confissões.
Muitos grupos se formam para estudar a Bíblia e discutir os documentos
eclesiásticos. Projetos concretos são ocasiões de colaboração e de amizade, como
por exemplo as iniciativas educativas, visando uma melhor compreensão, o estudo
em comum da história local, a organização de colóquios e de iniciativas sociais
concretas.
Os grupos que interpretam as canções de Natal são, às vezes, constituídos e
outros acontecimento anuais são também, algumas vezes, organizados em conjunto.
Os grupos ecumênicos, os fóruns religiosos, os encontros do clero, os projetos
de educação pela paz e as refeições da amizade são sempre mais freqüentes, em
particular na Irlanda do Norte.
Um destes eventos ecumênicos mais marcantes, na Irlanda, foi a inauguração do
Irish School of Ecumenics (Instituto irlandês para o ecumenismo) em 1970. Outras
iniciativas ecumênicas irlandesas merecem destaque, citemos o colóquio ecumênico
anual de Glenstal, que teve lugar depois de 1964 e aquele de Greenhills (nas
redondezas de Drogheda) desde 1966.
Em outro lugar a comunidade de Corymeela é mundialmente reconhecida como um
sinal profético de reconciliação.
Infelizmente, a violência e o sectarismo geraram preconceitos bem enraizados,
deixaram feridas e tristes recordações facilmente capazes de bloquear o
engajamento em toda busca de diálogo com membros de uma outra confissão. O
sectarismo foi definido como “um conjunto de atitudes, de crenças, de
comportamentos e de estruturas nos quais a religião desempenha um papel
importante e que (1) direta, ou indiretamente, atinge os direitos dos indivíduos
ou dos grupos, e/ou (2) influencia ou está na origem de situações de conflitos
destruidores[4]”.
A questão do sectarismo é objeto de uma atenção particular na Irlanda,
notadamente desde a assinatura do Acordo de Paz de Sexta-Santa em 1998. Enquanto
nos esforçamos em promover uma cultura paz que vá além do sectarismo, temos
necessidade de reconhecer aquilo que todos os cristãos partilham na presença do
Cristo ressuscitado. Um certo número de projetos existem, atualmente, que tentam
evidenciar as atitudes negativas enraizadas, em nós, frente ao outro e ajuda as
pessoas a enfrentarem o passado de maneira eficaz e concreta.
Circunstâncias difíceis, como por exemplo, certas manifestações sectárias na
Irlanda do Norte, de vez em quando, revelaram-se ocasiões úteis para aumentar
nossos esforços ecumênicos. Este foi um caso, entre outros, quando um Sínodo da
Igreja presbiteriana redigia uma declaração oficial de apoio em favor de uma
paróquia católica, vítima de um incidente sectário destruidor, e que esta
declaração foi lida, a pedido dos signatários, durante as missas celebradas na
paróquia católica.
A principal instância ecumênica da Irlanda é a Irish Inter-Church Meeting, que
se reuniu, pela primeira vez, em Ballymascanlon, em setembro de 1973. Este
Comitê Interconfessional, formado por responsáveis e por representantes membros
do Conselho Irlandês de Igrejas e da Conferência Episcopal da Igreja Católica,
se reuniu, muitas vezes, por ano. Ele está constituído de dois departamentos, um
encarregado de questões teológicas e outro de temas sociais. Estes encontros
entre responsáveis e representantes de diversas igrejas contribuíram amplamente
a tratar juntos algumas questões importantes, como a questão dos casamentos
mistos.
A lista dos membros do Conselho Irlandês de Igrejas nos dá uma idéia da grande
variedade de Igrejas presentes na ilha: a Cherubim and Seraphim Church da
Irlanda; a Igreja (anglicana) da Irlanda; a Igreja copta ortodoxa na Irlanda; a
Igreja greca ortodoxa na Inglaterra e na Irlanda; a Life Link Network of
Churches; a Igreja luterana na Irlanda; a Igreja metodista na Irlanda; o
Distrito irlandês da Igreja Morávia; a Non-Subscribing Presbyteriam Church[5]; a
Igreja presbiteriana na Irlanda; o Exército da Salvação (divisão irlandesa); a
Sociedade religiosa dos amigos na Irlanda; a Igreja russa ortodoxa na Irlanda; a
Igreja romena ortodoxa na Irlanda.
Há alguns anos, as atividades ecumênicas diziam respeito sobretudo àquilo que
nós chamamos as quatro “principais” Igrejas: a Igreja católica, a Igreja
(anglicana) da Irlanda, a Igreja presbiteriana e a Igreja metodista. Uma
importante mudança tem lugar, atualmente, no domínio ecumênico e é devido à
argumentação do número de fiéis das igrejas ortodoxas, de certas igrejas étnicas
minoritárias e de outras novas comunidades na Irlanda. Esta evolução não deixará
de ter recaídas consideráveis sobre o cenário ecumênico.
Desde 1996, aproximadamente 200 000 imigrantes chegaram na República da Irlanda
e representam, atualmente, 5% da população que conta no total quatro milhões de
habitantes. A presença ortodoxa passou de 358 pessoas em 1991 à 10.437 em 2002 e
continua a aumentar rapidamente. Do mesmo modo, as numerosas igrejas,
majoritariamente negras, se estabeleceram e se desenvolvem rapidamente em todo o
país.
As religiões não cristãs estão igualmente em um período de crescimento, o que
forçosamente tem repercussão sobre as relações ecumênicas, porque os cristãos
são também chamados a refletir sobre o seu testemunho comum e a sua abertura às
outras comunidades de crentes. O recenseamento de 2002 mostrou que na República
da Irlanda vivem 19.100 muçulmanos contra os 3.900 recenseados em 1991. A
comunidade budista está igualmente crescendo, passando de 986 para 3.894 fiéis,
durante o mesmo período, enquanto que a comunidade hindú passou de 953 para
3.099 membros. Esta tendência ao crescimento de outros grupos religiosos
continua.
Entretanto, não se pode ter uma visão de conjunto da situação ecumênica, na
Irlanda, sem lembrar com gratidão as inumeráveis pessoas, comunidades e
movimentos que semearam inúmeros grãos de reconciliação e de diálogo em meio às
lágrimas e imensos sofrimentos que afligiram nosso país, ao longo dos últimos
quarenta anos. Está claro que muitos projetos intercomunitários que surgiram na
Irlanda do Norte são de inspiração cristã.
É em uma descoberta renovada da presença de Cristo entre nós – quando estamos
reunidos em seu nome - que os cristãos da Irlanda encontram hoje, suas profundas
raízes cristãs e sua contribuição particular para a evangelização do mundo de
hoje.
Depois de ter atravessado um período sombrio, marcado por oposições de cultura e
de mentalidade, assim como por conflitos sobre a interpretação da história e das
perspectivas futuras, os cristãos da Irlanda empreenderam um trabalho de
reconciliação difícil, porém salutar.
Esperamos que testemunhando esta experiência de fé extraordinária que eles
viveram, neste processo de reconciliação, os cristãos da Irlanda poderão
comunicar, enquanto crentes, o positivo de inúmeras experiências vividas, a um
mundo que se interroga sobre a maneira de viver as situações multi-culturais,
multi-étnicas e multi-religiosas com as quais ele se confronta.
Nas palavras figurantes na medalha peitoral de São Patrício e que exprimem a fé
que nos é comum, ressoa claramente a mais intensa oração dos cristãos da
Irlanda:
O Cristo comigo, o Cristo diante de mim,
O Cristo atrás de mim, o Cristo em mim,
O Cristo abaixo de mim, o Cristo acima de mim,
O Cristo à minha direita, o Cristo à minha esquerda...
O Cristo no coração de todo homem que pensa em mim,
O Cristo em toda boca que me fala,
O Cristo em todo olho que me vê,
O Cristo em todo ouvido que me escuta.
Eu estou em pé hoje,
Graça a uma força potente,
A invocação à Trindade,
A fé na Trindade,
A confissão da unidade do Criador do mundo.
Semana de oração pela unidade dos cristãos
Temas 1968 – 2006
Foi em 1968 que começou, oficialmente, a colaboração entre a Comissão Fé e
Constituição do CMI e o Pontífio Conselho para a Promoção da Unidade dos
cristãos para a preparação destes textos.
1968 Para o louvor de sua glória (Ef 1, 14)
1969 Chamado à liberdade (Gl 5,13)
(Reunião preparatória em Roma, Itália)
1970 Nós somos os colaboradores de Deus ( 1Cor 3, 9)
(Reunião preparatória no Mosteiro de Niederaltaich, República Federal da
Alemanha)
1971 ... e a comunhão do Espírito Santo (2 Cor 13,13)
(Reunião preparatória em Bari, Itália)
1972 Eu vos dou um mandamento novo (Jo 13, 34)
(Reunião preparatória em Genebra, Suíça)
1973 Senhor, ensina-nos a rezar (Lc 11, 1)
(Reunião preparatória na Abadia de Montserrat, Espanha)
1974 Que todos confessem: que Jesus Cristo é o Senhor ( Fl 2, 1-13)
(Reunião preparatória em Genebra, Suiça)
(Em abril de 1974, uma carta foi endereçada às igrejas-membro e também a outras
partes interessadas pela criação de grupos locais que podiam participar na
preparação do livrinho da Semana de Oração. Um grupo australiano foi o primeiro
a engajar-se concretamente preparando em 1975 o projeto inicial do livrinho para
a Semana de Oração)
1975 A vontade do Pai: reunir todos em um só Chefe, o Cristo (Ef 1, 3-10 )
(Projeto do texto elaborado por um grupo australiano. Reunião preparatória em
Genebra, Suiça)
1976 Chamado a tornar isto que nós somos ( 1 Jo 3,2)
(Projeto do texto elaborado pela Conferência das Igrejas do Caribe. Reunião
preparatória em Roma, Itália)
1977 A esperança não decepciona (Rm 5, 1-5)
(Projeto do texto elaborado no Libano, em plena guerra civil. Reunião
preparatória em Genebra, Suiça)
1978 Vós não sois mais estrangeiros ( Ef 2, 13-22)
(Projeto do texto elaborado por um grupo ecumênico de Manchester, Inglaterra)
1979 Estejais a serviço uns dos outros para a glória de Deus ( 1 Ped 4, 7.11)
(Projeto do texto elaborado na Argentina. Reunião preparatória em Genebra,
Suiça)
1980 Venha o teu Reino! (Mt 6, 10)
(Projeto do texto elaborado por um grupo ecumênico de Berlim, República
Democrática da Alemanha. Reunião preparatória em Milão, Itália)
1981 Um só Espírito – dons diversos – Um só corpo ( 1 Cor 12, 3b – 13)
(Projeto do texto elaborado pelos Padres de Graymoor, USA. Reunião preparatória
em Genebra, Suiça)
1982 Que todos encontrem sua morada em ti, Senhor (Sal 84)
(Projeto do texto elaborado no Kênia. Reunião preparatória em Milão, Itália)
1983 Jesus Cristo – Vida do mundo ( 1 Jo 1, 1-4)
(Projeto do texto elaborado por um grupo ecumênico da Irlanda. Reunião
preparatória em Céligny [Bossey], Suiça)
1984 Chamados a sermos um pela Cruz de nosso Senhor (1 Cor 2, 2 e Col 1, 20)
(Reunião preparatória em Veneza, Itália)
1985 Da morte à Vida com Cristo ( Ef 2, 4.7)
(Projeto do texto elaborado na Jamaica. Reunião preparatória em Grandchamp,
Suiça)
1986 Vós sereis minhas testemunhas ( At 1, 6.8)
(Textos propostos na Iuguslávia [Eslovênia]. Reunião preparatória na Iuguslávia)
1987 Unidos no Cristo, uma nova criação (2 Cor 5, 17 - 6, 4 a )
(Projeto do texto elaborado na Inglaterra. Reunião preparatória em Taizé,
França)
1988 O perfeito amor lança fora o temor ( 1 Jo 4, 18)
(Projeto do texto elaborado na Itália. Reunião preparatória em Pinerolo, Itália)
1989 Construir a comunidade: um só corpo em Cristo (Rm 12, 5 – 6 a)
(Projeto do texto elaborado no Canadá. Reunião preparatória em Whaley Bridge,
Inglaterra)
1990 Que todos sejam um... para que o mundo creia (Jo 17)
(Projeto do texto elaborado na Espanha. Reunião preparatória em Madri, Espanha)
1991 Louvai ao Senhor todas as nações (Sl 117 e Rm 15, 5-13)
(Projeto do texto elaborado na Alemanha. Reunião preparatória em Rotenburg na
der Fulda, República Federal da Alemanha)
1992 Eu estou convosco... ide portanto (Mt 28, 16-20)
(Projeto do texto elaborado na Bélgica. Reunião preparatória em Bruges, Bélgica)
1993 Produzir o fruto do Espírito para a unidade dos cristãos (Gl 5, 22-23)
(Projeto do texto elaborado no Zaire. Reunião preparatória em Zurique, Suiça)
1994 Na casa de Deus: chamados a ser um só coração e uma só alma (At 4,32)
(Projeto do texto elaborado na Irlanda. Reunião preparatória em Dublin, Irlanda)
1995 Koinonia: comunhão com Deus e uns com os outros (Jo 15, 1-7)
(Reunião preparatória em Bristol, Inglaterra)
1996 Eis que estou à porta e bato (Ap 3, 14-22)
(Projeto do texto elaborado em Portugal. Reunião preparatória em Lisboa,
Portugal)
1997 Em nome de Cristo ... deixai-vos reconciliar com Deus ( 2 Cor 5, 20)
(Projeto do texto elaborado na Scandinavia. Reunião preparatória em Estocolmo,
Suécia)
1998 O Espírito socorre a nossa fraqueza (Rm 8, 14-27)
(Projeto do texto elaborado na França. Reunião preparatória em Paris, França)
1999 Ele ficará com eles. Serão seu povo e ele será o Deus que está com eles (Ap
21, 3)
(Projeto do texto elaborado na Malásia. Reunião preparatória no Mosteiro de
Bose, Itália)
2000 Bendito seja Deus... que nos abençoou em Cristo (Ef 1, 1-14)
(Projeto do texto elaborado pelo Conselho das Igrejas do Oriente Médio. Reunião
preparatória no Santuário de La Verna, Itália)
2001 Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14, 1-6)
(Projeto do texto elaborado na Romênia. Reunião preparatória na Casa de Odihna,
Romênia)
2002 Pois em ti está a fonte da vida (Sl 36 ( 35), 10)
(Projeto do texto elaborado pelo Conselho das Conferências Episcopais Européias
(CCEE) e a Conferência das Igrejas Européias (CEC). Reunião preparatória no
Centro Ecumênico de Ottmaring, Augsbourg, República Federal da Alemanha)
2003 Este tesouro, nós o levamos em vasos de barro ( 2 Cor 4, 7)
(Projeto do texto elaborado na Argentina. Reunião preparatória no Centro
Ecumênico Los Rubios, Málaga [Espanha] )
2004 Eu vos dou a minha paz (Jo 14, 27)
(Projeto do texto elaborado em Alep, Síria. Reunião preparatória em Palermo,
Sicília, Italia)
2005 O Cristo, único fundamento da Igreja ( 1 Cor 3, 1-23)
Christ, the one foundation of the church
(Projeto do texto elaborado na Eslováquia. Reunião preparatória em Piestany,
Eslovênia)
2006 Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles
( Mt 18, 20)
(Projeto do texto elaborado na Irlanda. Reunião preparatória em Prosperous,
County Kildare, na Irlanda)
Algumas datas importantes
na história da Oração pela Unidade
1740 – Escócia – Na Escócia, nascimento de um movimento pentecostal com ligações
à América do Norte, cuja mensagem para a renovação da fé faz apelo à oração por
todas as Igrejas, e com elas.
1820 – James Haldane Stewart – O Reverendo James Haldane Stewart publica:
“Conselhos para a união geral dos cristãos, com vista a uma efusão do Espirito”
[Hints for the outpouring of the Spirit].
1840 – Ignatius Spencer – O Reverendo Ignatius Spencer, um convertido ao
catolicismo romano, sugere uma “União de oração pela unidade”.
1867 – Lambeth – A primeira Assembléia dos bispos anglicanos em Lambeth, na
introdução as suas resoluções, insiste sobre a oração pela unidade.
1894 – Leão XIII – O Papa Leão XIII encoraja a prática de um Oitavário de Oração
pela unidade, no contexto de Pentecostes.
1908 – Paul Wattson – Celebração da “Oitava pela unidade da Igreja”, por
iniciativa do Reverendo Padre Paul Wattson.
1926 – Fé e Constituição – O Movimento Fé e Constituição começa a publicação de
“Sugestões para um Oitavário de Oração pela Unidade dos cristãos”.
1935 – Paul Couturier – Na França, o Padre Paul Couturier torna-se o advogado
pela “unidade que Cristo quer e pelos meios que Ele quer”.
1958 – “Unidade Cristã” – O Centro “Unidade Cristã” de Lyon (França) começa a
preparar o tema para a Semana de Oração, em colaboração com a Comissão “Fé e
Constituição” do Conselho Mundial de Igrejas.
1964 - Em Jerusalém o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras I, recitaram juntos
a oração de Cristo “que todos sejam um” (Jo 17).
1964 – Concílio Vaticano II – O Decreto sobre o Ecumenismo, do Concílio Vaticano
II, sublinha que a oração é a alma do movimento ecumênico, e encoraja a prática
da Semana de Oração.
1966 – “Fé e Constituição” e Secretariado para a Unidade – A Comissão “Fé e
Constituição” e o Secretariado para a Unidade dos Cristãos (presentemente
Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos) da Igreja Católica
decidem preparar em conjunto o texto para a Semana de Oração de cada ano.
1968 – Pela primeira vez, a “Oração pela Unidade” é celebrada com base nos
textos elaborados em colaboração entre “Fé e Constituição” e o Secretariado para
a unidade dos cristãos.
2004 - O acordo entre Fé e Constituição (Conselho Mundial de Igrejas) é o
Pontifício Conselho para a promoção da unidade dos cristãos (Igreja Católica)
para que o livrinho da Semana de oração pela unidade dos cristãos seja
oficialmente publicado em conjunto e apresentado com um mesmo formato.
[1] A escolha das orações e sua apresentação foi realizada pelo grupo local.
[2] A versão para o português do Hino Love Divine, all loves excelling (Charles
Wesley, 1747), foi feita pelo Rev. Antônio de Campos Gonçalves, Pastor da Igreja
Metodista, publicada no Hinário Evangélico nº 293. Não se trata de um tradução
literal. A terceira estrofe foi omitida.
[3] A descrição da situação ecumênica na Irlanda aqui apresentada pelo grupo
preparatório é publicada sob a responsabilidade do mesmo.
[4] Departamento para assuntos sociais do Conselho Irlandês das Igrejas,
Sectarismo: Um Documento de Estudo (Belfast, 1993), p.8.
[5] A Igreja Presbiteriana não aderiu a confissão de fé de Westminster (NDLR).