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Ecclesiam Tuam
Sancta, Mater et Magistra
19/10 Para muitos
observadores a crise da Igreja, ou seja, a falta de compostura cristã de
muitos fiéis (hierarquia e fiéis não ordenados que são a maioria) é uma
crise de Direito. Ou seja, que quem deve aplicar, com espirito pastoral, a
disciplina na Igreja se ausenta, se abstém e se demite da sua função dando
lugar a situações de injustiça clamorosa. A entender como boa esta
presunção, coloca-se um largo campo para exame de consciência aos portadores
de autoridade eclesiástica. Pode ser que um bom curso de reciclagem de
direito canónico venha a contribuir para que, no futuro, não se pretenda
praticar a doutrina cristã, e a caridade cristã, à margem da virtude da
justiça.
20/10 Para aqueles que não souberam distinguir um deficiente “legalismo” do
necessário e pastoral uso do direito na vida da Igreja, os recentes eventos
de indisciplina de alguns eclesiásticos pode ser motivador de um maior
respeito pela necessidade do estudo e aplicação do direito eclesiástico. A
falta de mentalidade jurídica, a falta de conhecimento do papel do direito
na vida das sociedades, também na Igreja, tem dados lugar a muitos abusos no
nosso tempo.
21/10 Destapou-se a tampa da panela do ódio e os ataques à Igreja subiram de
tom nos últimos tempos. O alvo imediato é o papa Bento XVI, mas vê-se como a
sua personalidade superior não é mais do que um pretexto para atacar a
Igreja Católica com um agressivo anticlericalismo que se julgaria já
desterrado da prática social. O ponto de apoio é a situação dramática da
descoberta de casos de pedofilia, atribuídos a clérigos. Já se afirma até
que se trata do maior pecado. Ou seja, que nesta nova classificação feita à
pressa é preciso esquecer o aborto, a eutanásia, o incesto, os pecados
contra o Espírito Santo e alguns mais para se poder chegar a esta conclusão.
Não nos admiremos, porém, são proclamas que procedem da onda de ignorância e
de cegueira que produz o ódio.
22/10 Aproveitando a onda de ódio que os anticlericais de diversas
procedências promovem contra a Igreja Católica, muitos outros inimigos da fé
cristã atiram também as suas queixas. São os que, chamando-se a si mesmos
católicos não praticantes ou mesmo também não somos igreja, gostariam que a
Igreja (se não for este papa, vai ser o seguinte, dizem; se não foi o último
concílio vai ser o próximo, repetem) autorizasse o divórcio e a comunhão dos
recasados; ou não condenasse o aborto e a eutanásia; são os que desejavam
que a doutrina da igreja Católica mudasse e assim fossem aceites as uniões
de facto e ordenados padres os homosexuais; aqueles que pretendiam que, como
acontece nalgumas comunidades evangélicas, se ordenassem as mulheres e os
padres pudessem casar. Enfim, não falta na história do Povo de Deus a
repetição cíclica de estas propostas alheias ao património verdadeiro da
Igreja Católica.
23/10 Já houve quem se tenha debruçado sobre a semelhança que existe entre o
vertiginoso pontificado de João XXIII, cheio de júbilo, de esperanças e de
grandes realizações e o longo pontificado de João Paulo II, pleno de fé, de
testemunho e de libertação dos cristãos do totalitarismo marxista. Mas, é
igualmente significativa a comparação entre o pontificado de Paulo VI, um
papa mártir pela onda de confusão, desobediência à fé e deslealdade à lei de
Deus que se instalaram por ocasião do Concílio Vaticano II no seio da Igreja
e o actual pontificado de Bento XVI, que começa a ter como seria de prever
toda a tonalidade de um papa perseguido pela sua fidelidade a Cristo e à sua
Igreja, um pastor autêntico do povo de Deus, que não se cala diante dos
falsos pastores que estão dentro da igreja, nem dos lobos que a atacam de
fora. Além disso confirma os católicos praticantes na fé, e vai ao encontro
num rasgo ecuménico já com grandes resultados dos irmãos separados. E que
procura no convívio com as outras grandes religiões contribuir para a paz
mundial.
24/10 Católicos não praticantes? A quem seguirão? A Judas ou ao jovem rico?
Não certamente a Cristo.