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Ecclesiam Tuam
Sancta, Mater et Magistra
41-09 Como foi bem
observado que em tudo aquilo que nos sucede na terra, algum momento existe
em que se misturam o tempo e a eternidade e que só pelo silêncio se pode
exprimir dignamente; e que essa alguma coisa é o amor.
42-09 Deus corre o risco terrível da nossa liberdade pessoal. Mas, quis
deixar-nos o amparo maravilhosa das leis do amor para nos conduzirmos
livremente ao Amor.
43-09 A grande infelicidade da modernidade é que não existe nenhum valor,
mas simplesmente opções ou opiniões. Donde o dilema é trágico. Ou nos
adaptamos ao vazio ou nos integramos ao nada.
44-09 Brinde do charme gaulês: um integrista francês é um homem que faz a
vontade de Deus, quer Deus queira, quer não! E não só por lá acontecem estas
coisas.
45-09 Que bem explicou quem disse que existem recompensas que não mancham
aquilo que as motiva. O amor de um homem por uma mulher não é mercenário
porque ele pensa desposá-la; nem é mercenário o seu gosto pela poesia porque
deseja lê-la; nem o seu amor pela ginástica porque pretende correr e ganhar.
O amor a Deus, por maioria de razão, deve procurar alcançar o Céu prometido
para sempre (como dizemos aqui na terra). Tudo isto é natural numa mente não
puritana
46-09 É preciso ter muita experiência para poder escrever que a dor oferece
uma grande oportunidade de heroísmo e a frequência com que essa oportunidade
é aproveitada surpreende-nos sempre.
47-09 As dores físicas que persistem longo tempo têm efeitos mais visíveis,
recebidas com poucos ou nenhuns queixumes, desenvolvem a fortaleza e a
paciência. O orgulho humilha-se, ou então manifesta-se no modo com que o
doente esconde o seu sofrimento.
48-09 As doenças crónicas que degeneram são um desafio feito à pessoa. Uma
doença prolongada, ainda que não venha acompanhada de dores, esgota o
espirito e o corpo do paciente. Este chega a desistir de lutar. É a hora da
cruz de Cristo.
49-09 A dor moral é menos dramática do que a dor física, mas mais profunda e
mais difícil de tolerar. É a hora da cruz de Cristo.
50-09 Podemos viver tranquilamente com os nossos pecados, erros e vícios,
mas o sofrimento vai exigir que lhe demos atenção. Deus segreda-nos no meio
dos acontecimentos diários, fala-nos à consciência nos instantes mais
correntes, mas clama no momento das nossas dores. A dor é o altifalante
divino que vem despertar a nossa insensibilidade para o bem, fechados e
protegidos como andávamos na carapaça do nosso egoísmo.