I.Art.E

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Ecclesiam Tuam

Sancta, Mater et Magistra

 

15/10 A última, mas necessariamente não a derradeira descoberta da ficção teológica nacional, é que a hierarquia não é a hierarquia é a anarquia. Ou melhor, a Igreja não é a hierarquia (descoberta que com um pouco de atenção ao património doutrinal cristão evangélico torna óbvia). Mas disto não se conclui que o papa, bispo de Roma, não é o fundamento da autoridade de Cristo em todas as dioceses e para todos os cristãos. A colegialidade episcopal, bem o dizem os documentos do concílio, não se conforma a um modo democrático das funções da hierarquia. Bem se adivinha nestas expressões confusas a necessidade de uma sã descentralização, mas sem dispensar a presença da autoridade papal, para evitar que se prolonguem no tempo as situações dolorosas que alguns bispos (e os equivalentes superiores religiosos) parece não terem capacidade disciplinar para resolver. Com uma igreja democratica-descentralizada-anarquizada, ainda estaríamos hoje à espera que o tratamento das situações de pediofilia (e outros) fossem objecto de adiamento injusto e vergonhoso.

16/10 Naturalmente que os católicos portugueses esperam com grande expectativa a chegada do papa Bento XVI e preparam a melhor maneira de aproveitar a sua curta presença entre nós. A grande maioria estará presente nos lugares onde se vão desenrolar os actos de culto para lhe manifestar a sua veneração e carinho, também a sua gratidão pelo serviço petrino. Certamente, não faltarão pequenos grupos, que procurarão manifestar, também através dos meios de comunicação sempre disponíveis para dar voz a estas minorias “de referencia”, pronunciando-se pela ausência dos encontros com o Papa, porque no seu entender se deviam usar os meios económicos e outros que se disponibilizaram para a viagem, para fazer outra igreja, para que eles também pudessem existir.

17/10 Sobre a tolerância de ponto para participar nas cerimónias com o a presença papal neste próximo Maio de 2010, pode ser bom que se verifique que a aproveitam os católicos. Ou seja, é possível que não estão incluídos na decisão governamental os não-católicos, os católicos não praticantes, os muçulmanos, os budistas, etc. Mas se em consciência quiserem assistir certamente que serão bem recibidos

18/10 É de supor que aqueles católicos não praticantes que desaprovam as viagens do Papa não contribuem com as suas posses para que elas se realizem. O que nos espanta é que achem desajustado que aqueles que consideram úteis essas viagens o façam. Lembra a resposta à queixa de alguns não fervorosos de Fátima que não vão lá por que aquilo é um comércio de objectos liturgicos nunca visto, dizem. Dar-se-á, porventura, o caso que as lojas de objectos liturgicos ganhariam clientes se tivessem à porta um letreiro dizendo: “Não é obrigatório entrar”; sobretudo,” não é obrigatório comprar”?.