Discurso do Papa a representantes do Conselho Mundial das Igrejas



Caro secretário-geral:
 

«Obrigado a vós e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo» (Filipenses 1,2). Com estas palavras de São Paulo, dou-lhe com alegria as boas-vindas a si e aos membros da delegação do Conselho Mundial das Igrejas. Depois da sua tomada de posse como secretário-geral, o senhor planeou visitar meu querido predecessor, o Papa João Paulo II. Ainda que esta esperança nunca se tenha cumprido, agradeço-lhe por ter representado o Conselho Mundial das Igrejas no funeral, e expresso-lhe minha gratidão pela mensagem que o senhor me enviou por ocasião da solene inauguração de meu ministério como bispo de Roma.

As relações entre a Igreja católica e o Conselho Mundial desenvolveram-se durante o Concílio Vaticano II, no qual dois observadores de Genebra estiveram presentes nas quatro sessões. Isto levou em 1965 ao estabelecimento do Grupo de Trabalho Conjunto, como um meio de contacto e cooperação contínuos, que deverá recordar a tarefa comum da unidade em resposta à oração do Senhor: «Que sejam um» (João 17, 21). No próximo mês de Novembro realizar-se-á uma consulta importante sobre o futuro do grupo, por ocasião do quadragésimo aniversário de sua fundação. Espero e rezo para que seu objectivo e metodologia de trabalho se definam cada vez melhor, em benefício de uma compreensão, cooperação e progresso ecuménico mais eficazes.

Nos primeiros dias de meu pontificado, assinalei que o «meu compromisso prioritário é trabalhar sem economizar energias na reconstituição da unidade plena e visível de todos os seguidores de Cristo». Isto exige, além de boas intenções, «gestos concretos que penetrem nos espíritos e sacudam as consciências, impulsionando cada um à conversão interior, que é o fundamento de todo progresso no caminho do ecumenismo» («Missa pro ecclesia», 5, 20 de abril de 2005). O Papa João Paulo II recordou com frequência que o coração da busca da unidade entre os cristãos é «o ecumenismo espiritual». Apresentou sua essência nos termos de estar em Cristo: «Crer em Cristo significa querer a unidade; querer a unidade significa querer a Igreja; querer a Igreja significa querer a comunhão de graça que corresponde ao desígnio do Pai desde toda a eternidade. Este é o significado da oração de Cristo: “Ut unum sint”» (carta encíclica «Ut Unum Sint», 9).

Desejo que a vossa visita à Santa Sé seja fecunda e fortaleça os laços de entendimento e de amizade entre nós. O compromisso da Igreja católica na busca da unidade entre os cristãos é irreversível. Por isso, quero assegurar-lhe que a Igreja anseia continuar a cooperação com o Conselho Mundial das Igrejas. De novo, dirijo uma palavra especial de alento ao senhor secretário-geral aos membros do Comitê Central e a toda a equipe, que trabalheis por dirigir e renovar este importante organismo ecuménico. Por favor, sabei que estais em minhas orações e que contais com minha inquebrantável e boa vontade. «A vós, graça e paz abundantes pelo conhecimento de nosso Senhor» (2 Pedro 1, 2).

 

Tradução: rosabiblica.com