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Discurso do Papa à Fundação para a Investigação e o Diálogo Inter-religioso e Intercultural
Queridos amigos:
Para mim é uma alegria, depois de ter sido um dos membros fundadores da Fundação
para a Pesquisa e o Diálogo Inter-religioso e Intercultural, voltar a
encontrar-me convosco e dar-vos as boas-vindas no Vaticano. Saúdo, em
particular, Sua Alteza Real o Príncipe Hassan da Jordânia, com quem tive o
prazer de encontrar-me nesta ocasião.
Agradeço ao presidente, Sua Eminência o Metropolita Damaskinos de Andrinópolis,
que me apresentou o primeiro fruto de vosso trabalho: a edição conjunta, em seu
idioma original e segundo a ordem cronológica, dos três livros sagrados das três
religiões monoteístas. Com efeito, era o primeiro projeto que havíamos
considerado ao criar juntos esta Fundação para «oferecer uma contribuição
específica e positiva ao diálogo entre as culturas e religiões».
Como recordei em várias ocasiões, em continuidade com declaração conciliar
«Nostra aetate» e com meu predecessor, o Papa João Paulo II, judeus, cristãos e
muçulmanos estamos chamados a reconhecer e desenvolver os laços que nos unem.
Esta é a idéia que nos levou a criar esta Fundação, cujo objetivo consiste em
buscar «a mensagem mais essencial e mais autêntica que podem dirigir ao mundo do
século XXI as três religiões monoteístas, a saber, o judaísmo, o cristianismo e
o islã», para dar um novo impulso ao diálogo inter-religioso e intercultural,
através da pesquisa comum e mostrando e difundindo aquilo que, em nossos
patrimônios espirituais respectivos, contribui a reforçar os laços fraternos
entre nossas comunidades de crentes. Por estes motivos, a Fundação se propôs, em
um primeiro momento, elaborar um instrumento de referência para ajudar a superar
os mal-entendidos e os preconceitos, oferecendo um marco comum aos trabalhos
futuros.
Deste modo, haveis realizado esta bela edição dos três livros que constituem o
manancial das crenças religiosas, criadoras de culturas, que marcam
profundamente os povos e dos quais hoje somos tributários.
A releitura e, para alguns, o descobrimento dos textos que são sagrados para
tantas pessoas no mundo nos obrigam ao respeito mútuo, no diálogo confiado. Os
homens de hoje esperam de nós uma mensagem de concórdia e de serenidade, e a
manifestação concreta de nossa vontade comum de ajudá-los a realizar sua
aspiração legítima a viver na justiça e na paz. Têm o direito de esperar de nós
um sinal forte de uma compreensão renovada e de uma cooperação reforçada,
segundo o objetivo da Fundação, que se propõe oferecer «ao mundo um sinal de
esperança e a promessa da bênção divina que acompanha sempre a ação caritativa».
Os trabalhos da Fundação contribuirão a uma tomada de consciência cada vez maior
de tudo aquilo que, nas diferentes culturas de nosso tempo, está conforme a
sabedoria divina e serve à dignidade do homem, para discernir melhor e para
rejeitar tudo o que usurpa o nome de Deus e desnaturaliza a humanidade do homem.
Também estamos convidados a comprometer-nos em um trabalho comum de reflexão,
trabalho da razão que junto a vós desejo de todo coração para escrutar o
mistério de Deus à luz de nossas tradições religiosas e de nossas sabedorias
respectivas para discernir os valores capazes de iluminar os homens e mulheres
de todos os povos da terra, independentemente de sua cultura e religião.
Por este motivo, é precioso contar a partir de agora com uma referência comum
graças à realização de vosso trabalho. Deste modo, poderemos progredir no
diálogo inter-religioso e intercultural, um diálogo que hoje é mais necessário
que nunca: um diálogo autêntico, respeitoso das diferenças, valente, paciente e
perseverante, que tira sua força da oração e que se alimenta da esperança que
habita a todos os que crêem em Deus e que põem sua confiança n’Ele.
Todas nossas respectivas tradições religiosas insistem no caráter sagrado da
vida e na dignidade da pessoa humana. Cremos que Deus abençoará nossas
iniciativas se contribuem ao bem de todos seus filhos e se os ajudam a
respeitar-se mutuamente, em uma fraternidade de dimensão mundial. Com todos os
homens de boa vontade, aspiramos à paz. Por isso, repito com insistência: a
pesquisa e o diálogo inter-religioso e intercultural não são uma opção, mas uma
necessidade vital para nosso tempo.
Que o Todo-Poderoso abençoe vossos trabalhos e que encha de bênçãos a vós e a
vossos entes queridos.
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