Discurso de Bento XVI ao ser relançado o diálogo católico-ortodoxo
Queridos irmãos em Cristo:
Dou-vos as boas-vindas em nome do Senhor, alegrando-me pelo vosso encontro
fraterno. Neste período litúrgico de alegre espera do Natal do Salvador, a vossa
presença aumenta a nossa alegria. Vós avivais em mim a lembrança das Igrejas que
representais e de todo o mundo ortodoxo.
Alegro-me, ao mesmo tempo, pelo encontro do Comité misto de coordenação da
«Comissão internacional para o diálogo teológico entre a Igreja católica e a
Igreja ortodoxa », sinal do desejo de reiniciar e continuar o
diálogo, que experimentou ao longo dos anos sérias dificuldades,
internas e externas. Este reinício do diálogo acontece depois de um acordo
interortodoxo, do qual a Igreja católica foi informada por Sua Santidade
Bartolomeu I. Tem, portanto, uma importância particular e constitui uma grande
responsabilidade, trata-se, de facto, de cumprir com a vontade do Senhor, que
quer que seus discípulos formem uma comunidade harmoniosa e que testemunhem
juntos o amor fraterno que procede do Senhor. Nesta nova fase do diálogo, há que
enfrentar juntos dois aspectos: por um lado, eliminar as divergências que
permanecem; e, por outro, ter como desejo primordial fazer todo o possível para
restabelecer a plena comunhão, bem essencial para a comunidade dos discípulos de
Cristo, como sublinhou o documento de preparação de vosso trabalho.
A comunhão plena está orientada para uma comunhão na verdade e na caridade. Não
podemos contentar-nos com ficar em estágios intermédios, mas temos de buscar
sem cessar, com valentia, lucidez e humildade, a vontade de Jesus Cristo, ainda
que isto não corresponda aos nossos simples projectos humanos. A realização da
unidade plena da Igreja e a reconciliação entre os cristãos exigem a submissão
das nossas vontades à vontade do Senhor. Uma tarefa assim tem de comprometer os
pastores, os teólogos e todas nossas comunidades, cada um segundo o papel que
lhe é próprio.
Para avançar no caminho da unidade, não são suficientes as nossas frágeis forças.
Temos de pedir a ajuda do Senhor, através de uma oração cada vez mais
insistente, pois a unidade é antes de tudo um dom de Deus (Cf. decreto «Unitatis
redintegratio», n. 24), convidando ao mesmo tempo todos os cristãos à oração
comum «como meio eficaz de pedir a graça da unidade». Ao mesmo tempo, o decreto
«Unitatis redintegratio» recomendava o conhecimento recíproco (Cf. n. 9) e o
diálogo, pelo qual se deve «avançar com amor à verdade, à caridade e à
humildade», para que se mantenha a pureza da doutrina (ibidem, n. 11). Os
pastores que tiveram o mérito de ter empreendido este diálogo, Sua Santidade o
Papa João Paulo II e Sua Santidade Dimitrios I, patriarca de Constantinopla, na
celebração comum com a qual o lançaram, abriram um caminho que temos de
continuar para chegar ao seu fim. Ao fazer-nos avançar para a plena comunhão
entre católicos e ortodoxos, o diálogo contribuirá também para os«múltiplos
diálogos que se desenvolvem no mundo cristão em busca da unidade»
(«Declaração comum», 30 de novembro de 1979).
Ao agradecer-vos pelo vosso compromisso no estudo dos caminhos concretos para o
progresso do diálogo entre católicos e ortodoxos, asseguro-vos a minha oração
fervorosa. Desejo-vos também um feliz e santo Natal. Que o ano novo nos encha de
bênçãos divinas e que seja um tempo de graça no caminho para a plena
unidade.
Tradução: rosabiblica.com