MENSAGEM DO CARDEAL FRANCIS ARINZE AOS HINDUS POR
OCASIÃO
DA FESTIVIDADE DO DIWALI CELEBRADA EM 1 DE NOVEMBRO DE 1997
1. Como Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso, é com
grande prazer que vos transmito uma vez mais as minhas sinceras saudações por
ocasião do Deepawali, a festividade que glorifica e celebra Deus através do
símbolo da luz.
2. Esta festividade oferece aos cristãos a oportunidade de visitar os seus
vizinhos e amigos Hindus para a troca de bons votos, ajudando desta forma a
fortalecer os vínculos de amizade já existentes e a criar outros novos. Assim,
esta mensagem anual torna-se como que uma ponte entre os Hindus e os Cristãos,
que está a ser constantemente edificada e consolidada. Dou graças a Deus por
isto e, da minha parte, rezo para que as relações entre os Cristãos e os Hindus
possam continuar a revigorar-se.
3. Daqui a três anos, as pessoas do mundo inteiro celebrarão o advento de um
novo milénio. Para os Cristãos, o Grande Jubileu do Ano 2000 comemorará o
Nascimento de Jesus Cristo. Como o Papa João Paulo II disse, para nós «este
tempo de expectativa constitui um período de reflexão, convidando-nos a fazer um
balanço, por assim dizer, do caminho percorrido pela humanidade sob o olhar de
Deus, Senhor da História». Fazendo eco deste apelo de Sua Santidade, quereria
convidar os Hindus e os Cristãos a caminharem juntos numa verdadeira
peregrinação de paz. A começar pela situação concreta em que nos encontramos,
procuremos a paz ao longo das sendas do perviolento dão, haurindo do património
genuíno das nossas tradições religiosas.
4. Os Vedas recordamnos constantemente as palavras dos antigos rishis,
inspiradas pela lógica da não-violência, da compaixão e do amor. O Atharva Veda
admoesta: «O irmão jamais odeie o irmão, e a irmã nunca possa ferir a irmã » (AV
III, 30, 3). Noutro lugar, imploram: «... se ofendemos nossa mãe ou nosso pai...
(Deus) nos absolva disto» (AV VI, 120, 1). O RgVeda ensina: «Estando os vossos
propósitos e os vossos corações unidos, os vossos espíritos sejam um só, a fim
de poderdes viver juntos na unidade e na concórdia! » (RV X, 191, 4). 5. Entre
as situações do nosso mundo assinalado pela vingança, pelo ódio
as pessoas a pedir e conceder o perdão, dado que tal acto é libertador por sua
própria natureza. «O perdão, na sua forma mais autêntica e elevada, é um acto de
amor gratuito. Mas, precisamente enquanto acto de amor, tem também as suas
exigências intrínsecas: a primeira delas é o respeito da verdade... Onde se
semeia mentira e falsidade, lá floresce suspeita e divisão... Outro pressuposto
essencial do perdão e da reconciliação é a justiça... Não existe, portanto,
qualquer contradição entre perdão e justiça » (João Paulo II, Mensagem para o
Dia Mundial da Paz, 1 de Janeiro de 1997). Poderíamos nós, pertencentes às
Comunidades hindu e cristã, deixar de nos encontrar mais frequentemente a fim de
recordar aos nossos respectivos membros a importante contribuição que todos são
chamados a oferecer à paz mundial, tornando-se pessoas de compaixão e perdão? 6.
Enquanto vos torno extensivos os cordiais bons votos de paz e júbilo em nome dos
católicos do mundo inteiro, renovo-vos a expressão da minha amizade.
Francis Card. ARINZE
Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso