Comunicado final da reunião de representantes católicos e judeus em Jerusalém



I. A tarde inaugural foi aberta pelo rabino de Israel, Shlomo Moshe Amar, Rishon L’Zion, que expressou seu fervoroso apoio ao diálogo, sublinhando os profundos valores compartilhados pelas duas tradições, sem ignorar a diferenciação que fazem de nós diferentes comunidades de fé. O objetivo do diálogo é sobretudo promover os princípios da santidade e da dignidade de todo ser humano e melhorar com este objetivo nossa colaboração.

Os chefes das respectivas delegações, o rabino-chefe Shear Yashuv Cohen e o cardeal Jorge Mejía, em seus discursos de boas-vindas expressaram sua grande satisfação e a profunda compreensão e amizade que se desenvolveu através destes encontros.

II. Ao início das sessões de trabalho, dado que era a primeira reunião após o falecimento do Papa João Paulo II, de feliz memória os presentes recordaram de maneira especial sua histórica contribuição à reconciliação entre católicos e judeus, e o fato de que esta Comissão bilateral foi fruto de sua iniciativa. Também, o cardeal Mejía sublinhou a significativa referência ao precedente rabino-chefe de Roma, contida no testamento de João Paulo II. Expressou-se apreço pelo compromisso manifestado por seu sucessor, Bento XVI, para seguir promovendo estas relações bilaterais.

III. O tema desta quinta reunião foi: «As relações entre autoridade religiosa e civil nas tradições judaica e cristã». A partir da visão bíblica das distintas funções do rei, do profeta e do sacerdote, e de suas respectivas relações com o povo de Deus, assinalaram-se estes pontos centrais:

1) Os valores religiosos são de vital importância para o bem-estar do indivíduo e da sociedade.

2) O objetivo da autoridade civil é servir e promover o bem comum, respeitando a vida e a dignidade de cada indivíduo;

3) Neste contexto, sublinhando a importância da democracia, é essencial salvaguardar com a lei a sociedade do individualismo extremo, da manipulação por parte de grupos que têm interesses particulares, da insensibilidade ante os valores culturais e morais das tradições religiosas;

4) A liberdade de religião tem de ser garantida tanto aos indivíduos como às comunidades por parte das autoridades civis e religiosas;

5) A relação entre religião e Estado deve fundamentar-se na reciprocidade, no respeito recíproco e na colaboração;

6) Medidas de lei a favor de determinados valores religiosos são legítimas quando se aplicam em harmonia com os princípios dos direitos humanos.

7) Temos a obrigação moral de dar exemplo de responsabilidade religiosa nestes âmbitos, e especialmente de educar as jovens gerações, seja recorrendo aos agentes dos grandes meios de comunicação, seja através dos canais educativos convencionais.

IV. A discussão concentrou-se na responsabilidade do Estado para garantir os direitos de todas as comunidades religiosas, prestando particular atenção às necessidades das comunidades cristãs da Terra Santa, assim como às necessidades das comunidades judaicas no mundo, facilitando a plena igualdade social e política, sem debilitar as identidades particulares.

Delegação judaica
Rabino chefe Shear Yashuv Cohen, presidente da delegação chefe Rasson Arussi
Rabino chefe David Brodman
Rabino chefe Yossef Azran
Rabino chefe David Rosen Señor Oded Wiener
Embaixador Shmuel Hadas

Delegação católica
Cardeal Jorge Mejía, presidente da delegação
Cardeal George Cottier, O.P. Bispo Giacinto-Boulos Marcuzo
Pe. Norbert Hofmann. SDB,
Arquimandrita Elias Chacour
Dom Pier Francesco Fumagalli
Arcebispo Pietro Sambi, núncio apostólico

[Traduzido por Zenit]