Prosseguir pelo caminho do diálogo com as Igrejas
ortodoxas
Discurso de Bento XVI à Conferência Episcopal da Bulgária
Venerados Irmãos no Episcopado!
O primeiro sentimento espontâneo que brota na minha alma ao receber a vossa
saudação é uma cordial gratidão pelo afecto que as vossas Comunidades, por meio
de vós, manifestam ao Sucessor de Pedro, renovando a confirmação de adesão fiel
ao depositum recebido dos Padres. Foram para mim de conforto as expressões de
comunhão que, nestes dias, cada um de vós me renovou em nome do clero, dos
religiosos e dos fiéis confiados à responsabilidade deles. Consciente como estou
do ministério que fui chamado a desempenhar ao serviço da comunhão eclesial,
peço-vos que vos façais intérpretes da minha constante solicitude em relação a
todos os crentes em Cristo.
Dos colóquios que tive com cada um de vós, cheguei à conclusão de que a Igreja
Católica na Bulgária é viva e desejosa de oferecer com entusiasmo o próprio
testemunho de Cristo no meio da sociedade na qual vive. Encorajo-vos a
prosseguir por este caminho, esforçando-vos por difundir, embora na limitação
das forças à vossa disposição, o Evangelho da esperança e do amor: o Senhor sabe
sempre colmar as nossas eventuais lacunas e a pobreza dos meios à nossa
disposição.
O que conta não é tanto a eficiência da organização, quanto a confiança
inabalável em Cristo, porque é precisamente Ele quem guia, rege e santifica a
sua Igreja, também através do vosso ministério indispensável.
Nos seus desígnios imperscrutáveis, Deus colocou-vos para exercer o vosso
serviço eclesial ao lado dos nossos irmãos da Igreja ortodoxa búlgara. Faço
votos por que os bons relacionamentos existentes se desenvolvam ainda mais em
benefício do anúncio do Evangelho do Filho de Deus, princípio e fim de todas as
acções realizadas pelo cristão. Em relação a isto, peço-vos, venerados Irmãos,
que leveis a minha saudação cordial ao Patriarca Maxim, primeiro Hierarca da
Igreja Ortodoxa da Bulgária. Dignai-vos fazer-vos intermediários dos meus votos
pela sua saúde e pela feliz retomada do seu ministério. Ainda permanece viva em
mim a recordação do respeitoso e fraterno acolhimento que ele dedicou ao meu
venerado Predecessor, o Papa João Paulo II, durante a visita pastoral que
realizou ao vosso País. É necessário prosseguir o caminho empreendido,
intensificando a oração para que se apresse a hora na qual poderemos sentar-nos
à única Mesa, para comer o único Pão da salvação.
Sei que subsiste um intenso diálogo com as Autoridades civis sobre temas de
interesse comum. Sinto-me feliz por isso, porque, através do compromisso de
todos, podem ser localizados os problemas a enfrentar juntos e os percursos a
seguir segundo as oportunidades concretas para o bem supremo de todo o Povo
búlgaro, o qual se sente justamente parte da grande família do Continente
europeu. Formada por diversas componentes culturais e religiosas, a Bulgária
pode tornar-se um exemplo de sábia integração, de colaboração e de convivência
pacífica. E a Comunidade católica, mesmo sendo uma minoria no contexto do País,
pode desempenhar uma tarefa de testemunho generoso da caridade universal de
Cristo.
Depois do triste período da opressão comunista, os católicos que perseveraram
com fidelidade activa na sua adesão a Cristo sentem agora a urgência de
fortalecer a sua fé e de difundir o Evangelho em todos os âmbitos sociais,
especialmente onde é mais evidente a necessidade do anúncio cristão. Penso, por
exemplo, na grande diminuição da natalidade, na elevada percentagem de abortos,
na fragilidade de tantas famílias, no problema da emigração. Sinto-me feliz por
saber que a Igreja Católica na Bulgária está muito empenhada no âmbito social,
para socorrer as necessidades de tantos pobres. Venerados Irmãos, encorajo-vos a
prosseguir por este caminho ao serviço do Povo búlgaro, que me é tão querido.
Não tenhais receio de propor às jovens gerações também o ideal da consagração
total a Cristo, a fim de contribuir para dilatar cada vez mais o Reino de Deus.
De igual modo, prossegui o esforço em dotar, com a ajuda também de outras
Igrejas e organizações católicas, as vossas Comunidades das estruturas que sejam
úteis para as actividades pastorais e para a prática do culto cristão. Em
relação a isto, foi com particular satisfação que tomei conhecimento que está a
ser completada a Igreja-Catedral latina de Sófia, dedicada a São José.
Venerados Irmãos, confiando na vossa orante recordação ao Senhor, por minha vez
garanto-vos uma especial oração Àquele que é o verdadeiro Esposo da Igreja, por
Ele amada, protegida e alimentada: Jesus nosso Senhor, único Filho do Deus Vivo.
Com estes sentimentos concedo de todo o coração a minha Bênção a vós, aos vossos
presbíteros, aos religiosos e às religiosas, e a todo o povo que Deus vos
confiou.
[Tradução distribuída pela Santa Sé]